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Notícias

Canal do Educador nº 100

Confira as novidades que a equipe da FVCB preparou para o Canal do Educador nº 100.

O Canal do Educador nº 100 destaca a obra do artista Clóvis Dariano. Ilustra a capa desta edição, uma das fotografias que integra a série Quando o objeto cria personagens alegóricos, década 1970-2016.
O Canal traz também a agenda do Curso de Formação Continuada em Artes da FVCB e do ciclo de encontros Nervo Óptico e suas Conexões | Estudos e Debates ; uma breve biografia de Dariano, links para pesquisa on-line, dicas de cursos e leituras além da programação artística e cultural da região metropolitana de Porto Alegre.

O Canal do Educador é um boletim informativo enviado por e-mail a educadores e interessados em conhecer mais sobre o universo das artes visuais. Para recebe-lo, basta enviar e-mail para educativo@fvcb.com.

Nota de Falecimento

Com grande lamento, comunicamos o falecimento de Maria do Carmo Tellechea, esposa do Presidente do Conselho Fiscal da FVCB, Pedro Chaves Barcellos Filho, ocorrido no último domingo, 14 de maio.  A direção, conselheiros e toda a equipe da FVCB enviam suas condolências e solidariedade ao Pedro e seu filho, desejando-lhes um pronto restabelecimento.

Canal do Educador n° 99

Confira os destaques do Canal do Educador n° 99.

O Canal do Educador n° 99 destaca a obra Keep Smiling, da artista Vera Chaves Barcellos, publicada pela primeira vez no cartazete n° 7 do Nervo Óptico, em 1977. Acompanha o boletim, uma breve biografia da artista, com ênfase em ações realizadas com o Nervo Óptico.

O informativo comunica o próximo encontro do Curso de Formação Continuada em Artes da FVCB, no sábado, 20 de maio, na Casa Rural, sede da Secretaria Municipal de Educação de Viamão. A participação da FVCB na programação da 15ª Semana de Museus, dicas do Canal, links para pesquisa on line e uma seleção da programação artística da região metropolitana de Porto Alegre também integram o informativo.

O Canal do Educador é um boletim informativo quinzenal, enviado a educadores e interessados em conhecer mais sobre o universo das artes visuais. Interessados em receber o Canal devem enviar e-mail para educativo@fvcb.com

NERVO ÓPTICO: 40 ANOS recebe grupos escolares

Desde abril deste ano, a exposição Nervo Óptico: 40 anos tem recebido visitas de diversos grupos. O Jornal  Cidades destacou no dia 10 de maio, a visita da Escola Municipal Farroupilha. Leia a reprodução da matéria aqui.

A visita – que foi conduzida pela coordenadora do Programa Educativo da Fundação, Margarita Kremer – foi uma proposta da professora de Artes, Gabriela Rodrigues, com o objetivo de aproximar os alunos da arte, além de instigá-los a entender as expressões individuais de cada trabalho exposto. A educadora explica que a fotografia faz parte dos conteúdos que estão sendo desenvolvidos com as turmas do 8º ano.

Durante a visita, os alunos puderam conferir a potência artística e a contemporaneidade do projeto Nervo Óptico. Os estudantes tiveram contato com os mais de 70 trabalhos fotográficos – produzidos, entre os anos de 1976 e 1978, e em versões recentes – de diferentes artistas que integraram o movimento artístico desta época. Os integrantes do Nervo Óptico não se colocavam como fotógrafos, mas artistas tomando a fotografia como ponto de partida para intervenções, fotomontagens, registros de performance e outros. Em abril deste ano, comemorou-se 40 anos do lançamento do trabalho de maior repercussão do grupo, o cartazete Nervo Óptico – descrito como “uma publicação aberta à divulgação de novas poéticas visuais”. Na época, cerca de mil exemplares foram impressos e distribuídos gratuitamente, apresentando geralmente o trabalho fotográfico de um artista do grupo ou convidado. Eram folhas impressas em preto e branco, o contrário do que se entendia como uma obra “vendável” e por isso acabavam por questionar o próprio conceito de arte.

A visitação à exposição Nervo Óptico: 40 anos ocorre até o dia 22 de julho de 2017, de segunda à sexta-feira, das 14h às 17h30, sob agendamento prévio pelo telefone (51) 8229-3031 ou pelo e-mail educativo@fvcb.com. A Fundação Vera Chaves Barcelos está localizada na Av. Senador Salgado Filho, 8450 – Viamão – RS.

Programa Educativo

A Secretaria Municipal de Educação (SME) mantém uma parceria com o Programa Educativo da Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB). Os educadores da rede municipal participam de um curso de formação continuada em arte, oferecido pela FVCB. O objetivo do Programa é aproximar professores, alunos e comunidade escolar da arte, através da troca de experiência e da vivência, em um espaço direcionado a arte contemporânea.

Adaptado da publicação:

http://viamao.rs.gov.br/portal/noticias/0/3/3041/Alunos-da-Escola-Municipal-Farroupilha-realizam-visita-guiada-%C3%A0-exposi%C3%A7%C3%A3o

Vera Chaves Barcellos no Hammer Museum

Em setembro de 2017, o Hammer Museum apresentará RADICAL WOMEN: LATIN AMERICAN ART, 1960-1985,  exposição inovadora que abordará práticas artísticas experimentais realizadas na América Latina por artistas mulheres e sua influência internacional. A artista Vera Chaves Barcellos (1938) está entre as artistas participantes, ao lado de nomes como Lygia Pape, Ana Mendieta e Marta Minujín.

 

Quinze países serão representados na exposição por 116 artistas com mais de 260 obras em fotografia, vídeo e outros meios experimentais. Abordando uma lacuna da história da arte, Radical Women dará visibilidade a  práticas artísticas de artistas mulheres radicadas na América Latina, e de Chicanas e Latinas nascidas nos Estados Unidos entre 1960 e 1985, um período chave na história de América Latina no desenvolvimento da arte contemporânea.

A exposição é curada por Cecilia Fajardo-Hill e Andrea Giunta.  Cecilia Fajardo-Hill acrescenta que  “Para as artistas incluídas nesta exposição, o corpo feminino se converteu em espaço de exploração e redescoberta de uma nova linguagem visual radical que desafiou a maneira de entender o mundo”.

Estas artistas realizaram investigações artísticas experimentais radicais no início da década de 1960, abrindo novos caminhos em fotografia, performance, vídeo e arte conceitual. Geraram uma linha de pesquisa enfocada na politização do corpo feminino e buscaram libertar-se do ambiente de repressão política e social que eclipsou as mulheres na América Latina entre 1960 e 1985. Nestes trabalhos, a representação do corpo feminino se converteu em um ponto de partida para questionar o cânone estabelecido da arte, assim como um meio para denunciar atos de violência social, cultural e político. Esta nova iconografia baseada no corpo explorou os âmbitos de representação tanto pessonal como política destas artistas que também utilizaram o corpo como um meio real e simbólico.

Adaptado da matéria originalmente publicada aqui:

http://artishockrevista.com/2016/09/29/hammer-museum-presenta-radical-women-latin-american-art-1960-1985/

Canal do Educador n° 98

Confira os destaques da 98ª edição do Canal do Educador.

O Canal do Educador n° 98 traz na capa obra de Jesus Escobar, artista espanhol que participou das atividades antecedentes à consolidação do grupo Nervo Óptico.  Além de uma breve biografia do artista, a programação do Projeto Educativo Nervo Óptico: 40 anos, artigos, links para pesquisa on line, dicas de cursos e exposições estão entre os destaques do boletim informativo.

O Canal do Educador pode ser acessado no site da FVCB.  Outra opção é receber o Canal por e-mail. Para tanto, basta se cadastrar, enviando e-mail para educativo@fvcb.com .

ARTE & CRÍTICA destaca NERVO ÓPTICO: 40 ANOS

A exposição Nervo Óptico: 40 anos, atualmente em cartaz na Sala dos Pomares, é tema do artigo Nervo Óptico, outra sismografia visual, escrito pelo artista, poeta, crítico de arte e curador Adolfo Montejo Navas, publicado na 41ª edição do jornal Arte & Crítica. Leia o texto completo, aqui.

 

Nervo Óptico, outra sismografia visual

 

Diálogos Silenciosos, Carlos Pasquetti, 1977.

A Fundação Vera Chaves Barcellos inaugura a mostra Nervo Óptico: 40 anos, que abre a programação expositiva de 2017 da Sala dos Pomare. Celebra-se não apenas o tempo, a história, mas também certa poética de enunciação (Julia Kristeva), o jogo de metalinguagem aberto entre fotografia e imagem, fotografia e performance, fotografia e texto.

Adolfo Montejo Navas – ABCA / Paraná

 

A sismografia artística de Nervo Óptico começou aplicada pelo nome, pelo foco ocular como patrimônio especulativo e de experimentação. E pela atenção denotada e dupla no valor e transfiguração da imagem e da fotografia, pois ambas as coisas ainda não estavam tão claramente dissociadas. O que significava que quase se tratava de um grupo de investigação e ensaio com uma alta orientação para a fotografia expandida, ampliada, fora do registro canônico mais tradicional do meio e dentro também das possíveis metamorfoses gráficas (a produção alternativa de cartazes, livros de artista, reproduções diversas…); e, consequentemente, que já se lidava com uma interpretação da imagem diferente, com outras coordenadas de leitura e da performance imagética, pois, coincidindo com as novas visualidades dos meios de comunicação já em uso na época (década de 1970), não se poderia sonhar com uma arte confinada em especialidades, gêneros, essências, mas sim em combinatórias, hibridações, suportes transmutados. Assim como outra relação com o mundo, uma abertura de imaginários além da arte. Isto significará também trazer e dar conta de outras informações visuais, camaleonizar-se com os novos registros e comportamentos de uma sociedade visual que ainda não tinha chegado a seu ápice de estetização como agora. Esta visão crítica da imagem representou, portanto, uma problemática rica e intensa do que fazer com a imagem, sobretudo com a fotografia, ou seja, construindo ou configurando outro pensamento visual, em regime de exploração/indagação.

Neste sentido, Nervo Óptico se corresponde com o melhor espírito da época, com aqueles anos 1970 cuja contrassenha era a profusão de linguagens em estado de invenção-experimentação, como herança das neovanguardas, modificando não só o local da obra de arte quanto sua natureza, a interlocução. Foi, portanto, um dos últimos grupos de vanguarda do Brasil – lembremos só a companhia e passagem fulgurante da radicalidade contestatária do poema-processo (1967-1972) –, tendo manifesto expresso (assinado em 1976 em Porto Alegre), ou seja: intenções críticas e contestação artística, fruto da leitura crítica da época (em que o mercado começava a engatinhar, comparado com seu lugar de preeminência como mainstream econômico-cultural de agora, mas produzia certo engessamento como sistema artístico-institucional).

Em flashback

Em uma simples vista, mas em flashback, com a perspectiva mais cômoda que oferece a história, Nervo Óptico se reconhece em otimizar o jogo de linguagem com a imagem, de tal forma que assume certo risco quase lúdico de operar, manipular e explorar não só o repertório e imaginário da arte ou de suas linguagens, mas sua ubiquidade e correspondência com o mundo circundante, o lugar crescente que a imagem como visibilidade vai ocupar na sociedade de forma tão ambígua quanto ambivalente. Aliás, “ancorados na arte como pesquisa”, como diz Ana Albani de Carvalho (curadora da mostra-aniversário de 40 anos do grupo), e leia-se também como prática, produz-se uma valorização do work in progress, das atividades continuadas, da obra em associação, outro patamar de obra que dessacralizará a seriedade da peça absoluta, a sua nobreza patrimonial. E até o rosto com que se apresenta como emblema: a foto coletiva do grupo (Sarampo, 1978) com manchas pintadas na cara como com uma epidemia é todo um símbolo do humor, um elemento lúdico crucial e constante de Nervo Óptico, curiosamente numa época de chumbo nada proclive a esta erosão do espírito oficial a rigor. A inclusão da obra anterior à formalização do grupo, Triacantho, 1975 (painéis fotográficos fantasmagóricos de Carlos Pasquetti, Mara Alvares, Clóvis Dariano e Fernanda Cony), não só significa o embrião de Nervo Óptico, como também obedece a este campo semântico da ironia visual, bem manifesta depois em outros autorretratos cultivados (Carlos Pasquetti, Vera Chaves Barcellos, Telmo Lanes).

 

Várias obras particulares de Carlos Pasquetti, Clóvis Dariano, Vera Chaves Barcellos ou Mara Alvares, Carlos Asp e Telmo Lanes serão seminais, quase premonitórias de caminhos percorridos depois, quando a arte descobre a fotografia quase como suporte ideal da contemporaneidade – ironias históricas à parte, sabendo as relações de atrito entre elas. Deste modo, apresentam-se ousadias conceituais que ligam imagem-fotografia-performance-objeto em equações incomuns para a época, sobretudo no Brasil, mas não só nos limites nacionais, pois tratava-se de um conceitualismo fotográfico sui generis que extrapolava a denominação, até pela sua praxe comunicativa. É o caso da fotografia dos pés com a cadeira real ao lado como objeto em relação de contiguidade, mas de presença-ausência (Um dia eu volto, 1978, de Clóvis Dariano e Telmo Lanes), que abre uma fenda menos tautológica que os exemplos de Kosuth.

Resulta instigante, como exemplo quase coletivo, permeado em várias obras de diversos membros do grupo, a inscrição na paisagem como território em exploração, as diferentes respostas a um dos motivos standard da pintura e da fotografia: as análises de sinais-signos de Vera Chaves como leitura enfrentada entre o código e a linguagem em Epidermic scapes (1977), microcosmos do tecido da pele como paisagem, ou Adansônias (1977), as diferentes performances desnudas na paisagem de Mara Alvares (que Rodrigo Braga religará em nosso tempo com outras direções e simbologias), onde o corpo feminino mergulha numa dança com a terra-mater (árvores ou pedras, em sintonia com as experiências de siluetas na natureza de Ana Mendieta no mesmo período com A Silueta Séries), ou a identidade acidentada de Diálogos silenciosos (1977) de Carlos Pasquetti, em que o lugar que ocupa a natureza é violentamente incorporado como autorretrato visceral, ou ainda as fotomontagens de Clóvis Dariano, Paisagem sobre paisagem (1977), em que a simples superposição de duas cópias diferentes de tamanho da mesma paisagem cria um abissal efeito perceptivo que faz duvidar entre a representação-simulacro e a cópia-original, como vislumbrou Magritte em suas frestas pictóricas (tão linguísticas quanto pré-conceituais).

Um outro tempus e intensidade

Apesar do período breve de atuação (1976-1978), se se considera o grupo só e não o espaço Nervo Óptico – com outros componentes diferentes e atuação, que, portanto, pertence a outra história –, toda sua intensa trajetória não se pode medir nunca pelo calendário, até porque as atividades artísticas criam sempre outro tempus e intensidade, têm um destino diferente. Ainda que seja já um nome consagrado na história da arte brasileira última, pesa a geopolítica artística, daí a importância da mostra no Centro Cultural São Paulo, de sua itinerância na exposição atual apresentada na Fundação Vera Chaves Barcellos.

Em Nervo Óptico: 40 anos, celebra-se não apenas o tempo, a história, mas também certa poética de enunciação (Julia Kristeva), o jogo de metalinguagem aberto entre fotografia e imagem, fotografia e performance, fotografia e texto, o valor gerado com as proposições – e não só obras –, certo desejo de vocabulário visual que ainda abriga surpresas para quem não tem memória óptica ou liberdade perceptiva. Aliás, aquela pergunta inquietante de o que as imagens realmente querem? (formulada por W.J.T. Mitchell em 2005) já estava aqui, anunciando-se nesse espaço entre, limítrofe, entre o que se comunica e o que foge disso, como imagética, portanto, que pedia interlocução, diálogo – alguma vida a mais (emprestada) tanto para o aquém quanto para o além da imagem: havia já o anseio de outra corporeidade visual para suas fotos-metamorfoses, interrogações.

 

 

 

Vera Chaves Barcellos na Espanha

A artista brasileira Vera Chaves Barcellos, ao lado do também brasileiro Éder Santos e do espanhol Evru, participa da exposição El mundo em su espuma, na Galeria Ángeles Baños, em Badajoz, Espanha.

Inspirado no poema de José de Espronceda, El Diablo Mundo, o título da exposição faz referência ao tema que norteia esta seleção de obras e artistas: a complexa relação entre realidade e ficção.

Ainda que de forma bem diversa, a artista brasileira Vera Chaves Barcellos, o  artista também brasileiro Eder Santos e o artista de Barcelona  Evru compartilham um interesse especial pela criação visual  e poética de outros mundos. Os trabalhos selecionados pela curadora da mostra, Claudia Giannetti, propõe uma reflexão sobre a construção simbólica e cognitiva das realidades, sempre plurais, mesmo que individualmente únicas.

(Registro da obra Casasubu na exposição Fotografias, manipulações e apropriações no Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brasil).

Vera Chaves Barcellos, na série fotográfica Casasubu (2006), aborda a questão do simulacro a partir da  documentação de fachadas de casas de uma pequena cidade do sul do Brasil, Ubu, que se caracteriza pela insólita mescla de estilos e materiais. Determinados elementos destas fachadas são reproduzidos e combinados artificialmente para conceber novas casas inexistentes, convidando o espectador a um exercício de atenção. A cidade real se expande com construções virtuais.

Desde 1968, Albert Porta, conhecido primeiramente como Zush, e a partir de 2001 como Evru, vem criando seu próprio universo. Evrugo Mental State é o nome de “seu” mundo paralelo, no qual existem símbolos comuns a todos os Estados: alfabeto e idioma próprios, moeda , bandera, hino, passaporte, personagens. Em um território ao mesmo tempo artístico e científico, mental e místico. Nesta exposição  se apresentan 27 desenhos sobre papel que permiten ao público entrar no orbe “evrugui” através de seu mapa, sua escritura, sua moeda, personagens e máscaras que o habitam.

Com um estilo pessoal e inconfundível, Eder Santos se aproxima da imagem do mundo de forma poética. Alain Bourges dizia que seus vídeos despertam o sentimento de estar em frente a imagens que não representam a realidade, mas outras imagens. Na obra de videoarte Cinema (2009), Santos embarca em uma viagem no tempo por uma paisagem recôndita do interior de Minas,no Brasil: a dura realidade do campo parece esfumaçar-se em loops cíclicos, em diferentes velocidades. A série de videoesculturas Todos os santos aborda o sincretismo religioso e cultural, formalizado en figuras que remetem a diferentes construções de memórias e origens. Seu vídeo Projeto Apollo (2000) trata da questão atualmente tão debatida do fake e da pós-verdade da história.

O diálogo entre as obras selecionadas para exposição, instiga a reflexão sobre questões essenciais sobre a construção e compreensão das realidades humanas, bem como o grau de virtualidade presente em nossa práxis vital.

Vera ainda participa de uma mesa redonda sobre hibridismo e a transdisciplinaridade na arte contemporânea. Intitulado O poder das imagens além das categorias e disciplinas, o debate antecede a abertura da mostra e ocorre no dia 20 de abril no MEIAC - Museu Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo.

Nervo Óptico é tema de apresentação em CSO LISBOA 2017

Ana Albani de Carvalho, curadora da mostra Nervo Óptico: 40 anos apresentou no congresso CSO LISBOA 2017, comunicação sobre a atuação do grupo de artistas e sobre a mostra que atualmente está em cartaz na Sala dos Pomares.

A atuação do Nervo Óptico e as respectivas mostras, debates e estudos sobre o grupo de artistas estiveram presentes no CSO  Internacional Criadores Sobre outras Obras, que acontece em Lisboa até 12 de abril.

Ana Albani de Carvalho, professora e pesquisadora vinculada ao Instituto de Artes da UFGRS, destaca que ao apresentar sobre a série Triacantho (imagem em destaque) no Congresso CSO Lisboa 2017,  teve a oportunidade de mostrar, em caráter inédito, algumas imagens do making off desta série de fotografias que articula encenação para foto e intervenção em desenho. As fotos impressas, em grandes dimensões, também era um fato raro em 1975, quando a obra foi realizada em autoria coletiva por Carlos Pasquetti, Clóvis Dariano, Mara Alvares e Fernanda Cony. Essa obra pertence ao acervo da Pinacoteca do Instituto de Artes da UFRGS e pode ser vista na exposição Nervo Óptico: 40 anos até 22 de julho na Fundação Vera Chaves Barcellos, Sala dos Pomares.

NERVO ÓPTICO: 40 ANOS em matéria do Segundo Caderno da Zero Hora

Na última sexta, o Segundo Caderno do jornal Zero Hora, deu destaque à exposição Nervo Óptico: 40 anos, que abriu no último sábado, 1° de abril, na Sala dos Pomares.

 

Coletivo de artistas pioneiro no uso da fotografia, Nervo Óptico é celebrado em exposição
Mostra está aberta para visitação entre 1° de abril e 22 de julho

Por: Luiza Piffero

No mercado de arte da Porto Alegre dos anos 1970, ainda emergente, havia lugar garantido para pintura, gravura e escultura. Mas a fotografia era uma estranha nas galerias e nos museus. Um grupo de jovens artistas estava prestes a mudar isso e entrar para a história da arte brasileira. Eram Carlos Asp, Carlos Pasquetti, Clóvis Dariano, Mara Alvares, Telmo Lanes e Vera Chaves Barcellos. Atendiam pelo nome Nervo Óptico.

O período de dezembro de 1976 a setembro de 1978 bastou para que o coletivo revolucionasse o circuito das artes, trabalhando com super-8, performance e, especialmente, fotografia. Os integrantes não se colocavam como fotógrafos, mas artistas tomando a fotografia como ponto de partida para intervenções, fotomontagens, registros de performance e outros. Em abril, completam-se 40 anos do seu trabalho de maior repercussão, o cartezete Nervo Óptico. A Fundação Vera Chaves Barcellos aproveita a data para inaugurar, neste sábado, a exposição Nervo Óptico: 40 Anos.

O coletivo foi gestado em encontros de jovens artistas, muitos egressos do Instituto de Artes da UFRGS. A mais experiente era Vera Chaves Barcellos, que ouviu falar do “movimento” e passou a frequentar as reuniões:

– Foi nascendo um espírito crítico em relação às políticas culturais do Estado, e decidimos fazer um manifesto. Muitos ficaram com medo de ofender o mercado e não assinaram. A gente fala que não era contra o mercado, mas contra que o mercado dirigisse a valorização do objeto de arte.

Oito artistas assinaram o texto e promoveram, em dezembro de 1976, a exposição Atividades Continuadas, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs).

– Como era uma época em que havia certo silêncio em relação a qualquer coisa que se pudesse reclamar porque ainda estávamos na ditadura, houve essa acolhida grande por uma massa da cultura, e os debates foram acirrados e entusiasmados – recorda Vera.

Em abril de 1977, reduzido aos seis integrantes definitivos, o coletivo lançou o Nervo Óptico, descrito como “uma publicação aberta à divulgação de novas poéticas visuais”. Cerca de mil exemplares foram impressos e distribuídos gratuitamente. Até 1978, outras 12 edições mensais seriam publicadas, apresentando geralmente o trabalho fotográfico de um artista do grupo ou convidado. Eram folhas impressas em preto e branco, o contrário do que se entendia como uma obra “vendável” na época e por isso acabavam por questionar o próprio conceito de arte.

Exemplares do Nervo Óptico e autores das obras reproduzidas: número 11 (Vera Chaves Barcellos), 12 (Telmo Lanes e Clóvis Dariano) e 13 (Liliana Porter)
Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

– De certa maneira, a gente não queria pintar. Quase todos da minha geração iniciaram a carreira pensando na pintura como meio, mas acho que a fotografia objetivou mais o olhar, nos deixou mais conscientes do mundo ao redor –recorda a artista.

Os cartazetes viajaram o mundo – foram feitos para isso. O grupo assumiu o nome da publicação e teve dois anos de intercâmbio intenso. Reuniam-se no antigo estúdio de Clóvis Dariano, na Rua Garibaldi, onde faziam experiências com fotografia e super-8, uns servindo de modelos para os outros.

– Um tipo de produção que pudesse ser distribuída quebrava a ideia da arte entronizada em um museu, da peça única que você tem que ter uma relação de respeito e quase de adoração. Era uma proposta de aproximar, discutir e estabelecer com o público um outro tipo de contato com a arte – interpreta a curadora da exposição Nervo Óptico: 40 Anos, Ana Albani, que pesquisa o grupo desde o início dos anos 1990.

A ruptura não foi bem recebida por todos. Uma crítica incisiva partiu do artista Danúbio Gonçalves. Em 1978, ele escreveu no Boletim do Margs que a fotografia seria um recurso usado por artistas que não dominavam o desenho. Atacou diretamente o Nervo Óptico, chamando-o de “sarampo” das artes, já que a doença costuma acometer crianças e durar pouco tempo.

O grupo não demorou a responder. Enviou para o Atelier Livre, instituição da qual Danúbio era diretor, uma fotografia de seus integrantes cobertos de pintinhas vermelhas (a obra reproduzida acima). Esse senso de humor era uma marca do Nervo Óptico e uma estratégia incomum nas obras da época, segundo a curadora. Em 1978, o Nervo Óptico fez sua última exposição e decidiu encerrar a publicação dos cartazetes, que hoje, ironicamente, são itens valiosos em acervos de museus.

 

Experiências fotográficas assumem o protagonismo

Depois de passar pelo Centro Cultural São Paulo, a exposição Nervo Óptico: 40 Anos será inaugurada sábado na Sala dos Pomares da Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB), em Viamão. Com exceção de alguns documentos – como fotos de bastidores e estudos para obras –, o catálogo segue o mesmo da mostra de São Paulo. O que muda é a montagem, adaptada ao novo espaço.

A curadora Ana Albani e a artista Vera Chaves Barcellos diante de obras históricas do Nervo Óptico
Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Estão reunidas mais de 70 obras das coleções Fundação Vera Chaves Barcellos, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, Margs, MACRS, Bolsa de Arte e dos próprios autores. É uma chance de ver todos os cartazetes Nervo Óptico, já que atualmente alguns têm o status de raridade, e as obras que os estamparam em tamanho ampliado.

– Trata-se de uma reunião de trabalhos que poderá não acontecer tão facilmente. E o que se observa é a contemporaneidade das imagens, em termos estéticos, e das questões que os trabalhos propõem: esse jogo de performance, de corpo, de espaço-natureza – analisa a curadora Ana Albani.

A mostra enfatiza o experimentalismo do coletivo, o caráter lúdico das obras e o protagonismo da fotografia (ao invés de suportes então hegemônicos, como a pintura e a escultura). São buscas que garantiram ao coletivo um lugar cativo na história da arte brasileira.

– Não se tem notícia de um grupo que tenha investido tanto no uso da fotografia como arte contemporânea no país – afirma a curadora.

O coletivo foi tema de Ana Albani em seu mestrado, entre 1991 e 1994, quando a bibliografia sobre o assunto era inexistente. Vinte anos depois, multiplicam-se os trabalhos acadêmicos que abordam o grupo. Autora de Espaço N.O., Nervo Óptico (Funarte, 2004), a professora promete lançar um livro maior sobre o grupo em 2018, “para fechar os 40 anos de comemorações”.

Antecedentes

A maioria dos trabalhos da mostra foi desenvolvida entre 1976 e 1978. Mas há também obras anteriores que apresentam as pesquisas individuais dos integrantes do grupo. Um exemplo é a série Testartes, de 1974, um jogo de imagens e indagações ao espectador proposto por Vera Chaves Barcellos. Antes de identificarem-se como Nervo Óptico, alguns artistas inclusive já colaboravam, como mostra Triacantho, de 1975, assinada por Carlos Pasquetti, Mara Alvares, Clovis Dariano e Fernanda Cony, que mistura performance, fotografia e desenho.

 

Jogo de imagens

A intervenção e a apropriação de imagens eram recursos bem usados. É o caso de Paisagem sobre Paisagem (1977), em que Clóvis Dariano cria uma ilusão ao registrar a sobreposição de duas fotografias do mesmo assunto, e de Golpe de Vista no Pão de Açucar (1977), em que Telmo Lanes desenha um varal sobre uma foto.

Obra da série “Paisagem sobre Paisagem” (1977), de Clóvis Dariano
Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS
Performance e fotografia

A combinação de performance e fotografia é uma marca do Nervo Óptico. Está presente, por exemplo, em Adansônia (1977), na qual Mara Alvares fotografa dançarinos em interação com árvores, e na série On Ice (1978), registro que Vera Chaves Barcellos faz da performance de Flavio Pons e Cláudio Goulart na superfície congelada de um lago em Amsterdã. Uma das obras mais curiosas e bem-humoradas é Íntimo Exterior (1978): Telmo Lanes deixou uma unha crescer por meses, cortou-a e a fotografou em diferentes contextos.

Fotos da série “Íntimo Exterior” (1978): Telmo Lanes deixou uma unha crescer por meses, cortou-a e a fotografou em diferentes contextos
Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Documentos

Duas salas da Fundação Vera Chaves Barcellos exibem documentos como catálogos e convites de exposições do Nervo Óptico, além de obras de dois artistas, Romanita Disconzi e Jesus Escobar. A dupla assinou o manifesto contra as políticas do mercado de arte lançado pelo coletivo em dezembro de 1976, mas não seguiu trabalhando com o grupo. Na mesma sala das obras, é possível sentar e assistir ao documentário Nervo Óptico: Procura-se um Novo Olho, de Karine Emerich e Hopi Chapman.

Vera Chaves Barcellos diante da obra “On Ice”, de 1978, em que fotografou uma performance sobre um lago gelado
Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Nervo Óptico: 40 anos
Abertura sábado (1º de abril), das 11h às 17h, com visitação de 1° de abril a 22 de julho, de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h30min.
Sala dos Pomares, na Fundação Vera Chaves Barcellos (Av. Senador Salgado Filho, 8.450, em Viamão).
Transporte: no dia da abertura, a fundação disponibiliza transporte gratuito de ida e volta ao centro de Porto Alegre, com saída em dois horários: às 11h e às 14h, em frente ao Theatro São Pedro (Praça da Matriz, s/nº). É necessária inscrição prévia pelos telefones (51) 3228-1445 e (51) 98498-5994 ou pelo e-mail info@fvcb.com.
Preste atenção: durante a abertura, também será lançado o livro Fotografia & Poesia: Afinidades Eletivas (Ubu Editora), de Adolfo Montejo Navas.