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Notícias

Canal do Educador n° 102

Confira as novidades do Canal do Educador n° 102.

O caráter performático presente em produções do Nervo Óptico é tema do Canal do Educador n° 102.

Através da obra Pictografias I, de 1976,  da artista Mara Alvares, o informativo aborda esta temática.  Além disso, o Canal do Educador reúne textos para pesquisa on line, dicas de cursos e a agenda expositiva das instituições culturais da região metropolitana.

O Canal do Educador é um boletim quinzenal enviado a educadores e interessados em saber mais sobre o universo das Artes Visuais. Para receber nosso informativo, basta enviar e-mail para educativo@fvcb.com.

Canal do Educador n°101

Confira os conteúdos do Canal do Educador n° 101.

A partir da obra Diálogos Silenciosos, do artista Carlos Pasquetti, o Canal do Educador aborda questões relativas à comunicabilidade.  Uma breve biografia do artista, indicações de textos e links para pesquisa on-line integram o informativo que apresenta ainda dicas de exposições e cursos.

O Canal do Educador é um boletim informativo da Fundação Vera Chaves Barcellos enviado quinzenalmente para educadores e interessados em conhecer mais sobre o universo das artes visuais.  Para receber o Canal do Educador, basta enviar e-mail para educativo@fvcb.com.

Carol Biberg deixa a equipe da FVCB

Desde quando iniciou como estagiária, até desenvolver as atividades de Coordenação de Produção e Projetos,  foram quase oito anos pertencendo à equipe da FVCB, contribuindo para o crescimento e fortalecimento da instituição. No dia 16 de junho, Carol se despediu da direção e colegas da Fundação, assumindo em seguida novos desafios no Santander Cultural. A FVCB manifesta o desejo de que Carol alcance os mesmos belos resultados aqui obtidos através da sua competência, dedicação  e compromisso com o trabalho e a entidade.

Canal do Educador nº 100

Confira as novidades que a equipe da FVCB preparou para o Canal do Educador nº 100.

O Canal do Educador nº 100 destaca a obra do artista Clóvis Dariano. Ilustra a capa desta edição, uma das fotografias que integra a série Quando o objeto cria personagens alegóricos, década 1970-2016.
O Canal traz também a agenda do Curso de Formação Continuada em Artes da FVCB e do ciclo de encontros Nervo Óptico e suas Conexões | Estudos e Debates ; uma breve biografia de Dariano, links para pesquisa on-line, dicas de cursos e leituras além da programação artística e cultural da região metropolitana de Porto Alegre.

O Canal do Educador é um boletim informativo enviado por e-mail a educadores e interessados em conhecer mais sobre o universo das artes visuais. Para recebe-lo, basta enviar e-mail para educativo@fvcb.com.

Nota de Falecimento

Com grande lamento, comunicamos o falecimento de Maria do Carmo Tellechea, esposa do Presidente do Conselho Fiscal da FVCB, Pedro Chaves Barcellos Filho, ocorrido no último domingo, 14 de maio.  A direção, conselheiros e toda a equipe da FVCB enviam suas condolências e solidariedade ao Pedro e seu filho, desejando-lhes um pronto restabelecimento.

Canal do Educador n° 99

Confira os destaques do Canal do Educador n° 99.

O Canal do Educador n° 99 destaca a obra Keep Smiling, da artista Vera Chaves Barcellos, publicada pela primeira vez no cartazete n° 7 do Nervo Óptico, em 1977. Acompanha o boletim, uma breve biografia da artista, com ênfase em ações realizadas com o Nervo Óptico.

O informativo comunica o próximo encontro do Curso de Formação Continuada em Artes da FVCB, no sábado, 20 de maio, na Casa Rural, sede da Secretaria Municipal de Educação de Viamão. A participação da FVCB na programação da 15ª Semana de Museus, dicas do Canal, links para pesquisa on line e uma seleção da programação artística da região metropolitana de Porto Alegre também integram o informativo.

O Canal do Educador é um boletim informativo quinzenal, enviado a educadores e interessados em conhecer mais sobre o universo das artes visuais. Interessados em receber o Canal devem enviar e-mail para educativo@fvcb.com

NERVO ÓPTICO: 40 ANOS recebe grupos escolares

Desde abril deste ano, a exposição Nervo Óptico: 40 anos tem recebido visitas de diversos grupos. O Jornal  Cidades destacou no dia 10 de maio, a visita da Escola Municipal Farroupilha. Leia a reprodução da matéria aqui.

A visita – que foi conduzida pela coordenadora do Programa Educativo da Fundação, Margarita Kremer – foi uma proposta da professora de Artes, Gabriela Rodrigues, com o objetivo de aproximar os alunos da arte, além de instigá-los a entender as expressões individuais de cada trabalho exposto. A educadora explica que a fotografia faz parte dos conteúdos que estão sendo desenvolvidos com as turmas do 8º ano.

Durante a visita, os alunos puderam conferir a potência artística e a contemporaneidade do projeto Nervo Óptico. Os estudantes tiveram contato com os mais de 70 trabalhos fotográficos – produzidos, entre os anos de 1976 e 1978, e em versões recentes – de diferentes artistas que integraram o movimento artístico desta época. Os integrantes do Nervo Óptico não se colocavam como fotógrafos, mas artistas tomando a fotografia como ponto de partida para intervenções, fotomontagens, registros de performance e outros. Em abril deste ano, comemorou-se 40 anos do lançamento do trabalho de maior repercussão do grupo, o cartazete Nervo Óptico – descrito como “uma publicação aberta à divulgação de novas poéticas visuais”. Na época, cerca de mil exemplares foram impressos e distribuídos gratuitamente, apresentando geralmente o trabalho fotográfico de um artista do grupo ou convidado. Eram folhas impressas em preto e branco, o contrário do que se entendia como uma obra “vendável” e por isso acabavam por questionar o próprio conceito de arte.

A visitação à exposição Nervo Óptico: 40 anos ocorre até o dia 22 de julho de 2017, de segunda à sexta-feira, das 14h às 17h30, sob agendamento prévio pelo telefone (51) 8229-3031 ou pelo e-mail educativo@fvcb.com. A Fundação Vera Chaves Barcelos está localizada na Av. Senador Salgado Filho, 8450 – Viamão – RS.

Programa Educativo

A Secretaria Municipal de Educação (SME) mantém uma parceria com o Programa Educativo da Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB). Os educadores da rede municipal participam de um curso de formação continuada em arte, oferecido pela FVCB. O objetivo do Programa é aproximar professores, alunos e comunidade escolar da arte, através da troca de experiência e da vivência, em um espaço direcionado a arte contemporânea.

Adaptado da publicação:

http://viamao.rs.gov.br/portal/noticias/0/3/3041/Alunos-da-Escola-Municipal-Farroupilha-realizam-visita-guiada-%C3%A0-exposi%C3%A7%C3%A3o

Vera Chaves Barcellos no Hammer Museum

Em setembro de 2017, o Hammer Museum apresentará RADICAL WOMEN: LATIN AMERICAN ART, 1960-1985,  exposição inovadora que abordará práticas artísticas experimentais realizadas na América Latina por artistas mulheres e sua influência internacional. A artista Vera Chaves Barcellos (1938) está entre as artistas participantes, ao lado de nomes como Lygia Pape, Ana Mendieta e Marta Minujín.

 

Quinze países serão representados na exposição por 116 artistas com mais de 260 obras em fotografia, vídeo e outros meios experimentais. Abordando uma lacuna da história da arte, Radical Women dará visibilidade a  práticas artísticas de artistas mulheres radicadas na América Latina, e de Chicanas e Latinas nascidas nos Estados Unidos entre 1960 e 1985, um período chave na história de América Latina no desenvolvimento da arte contemporânea.

A exposição é curada por Cecilia Fajardo-Hill e Andrea Giunta.  Cecilia Fajardo-Hill acrescenta que  “Para as artistas incluídas nesta exposição, o corpo feminino se converteu em espaço de exploração e redescoberta de uma nova linguagem visual radical que desafiou a maneira de entender o mundo”.

Estas artistas realizaram investigações artísticas experimentais radicais no início da década de 1960, abrindo novos caminhos em fotografia, performance, vídeo e arte conceitual. Geraram uma linha de pesquisa enfocada na politização do corpo feminino e buscaram libertar-se do ambiente de repressão política e social que eclipsou as mulheres na América Latina entre 1960 e 1985. Nestes trabalhos, a representação do corpo feminino se converteu em um ponto de partida para questionar o cânone estabelecido da arte, assim como um meio para denunciar atos de violência social, cultural e político. Esta nova iconografia baseada no corpo explorou os âmbitos de representação tanto pessonal como política destas artistas que também utilizaram o corpo como um meio real e simbólico.

Adaptado da matéria originalmente publicada aqui:

http://artishockrevista.com/2016/09/29/hammer-museum-presenta-radical-women-latin-american-art-1960-1985/

Canal do Educador n° 98

Confira os destaques da 98ª edição do Canal do Educador.

O Canal do Educador n° 98 traz na capa obra de Jesus Escobar, artista espanhol que participou das atividades antecedentes à consolidação do grupo Nervo Óptico.  Além de uma breve biografia do artista, a programação do Projeto Educativo Nervo Óptico: 40 anos, artigos, links para pesquisa on line, dicas de cursos e exposições estão entre os destaques do boletim informativo.

O Canal do Educador pode ser acessado no site da FVCB.  Outra opção é receber o Canal por e-mail. Para tanto, basta se cadastrar, enviando e-mail para educativo@fvcb.com .

ARTE & CRÍTICA destaca NERVO ÓPTICO: 40 ANOS

A exposição Nervo Óptico: 40 anos, atualmente em cartaz na Sala dos Pomares, é tema do artigo Nervo Óptico, outra sismografia visual, escrito pelo artista, poeta, crítico de arte e curador Adolfo Montejo Navas, publicado na 41ª edição do jornal Arte & Crítica. Leia o texto completo, aqui.

 

Nervo Óptico, outra sismografia visual

 

Diálogos Silenciosos, Carlos Pasquetti, 1977.

A Fundação Vera Chaves Barcellos inaugura a mostra Nervo Óptico: 40 anos, que abre a programação expositiva de 2017 da Sala dos Pomare. Celebra-se não apenas o tempo, a história, mas também certa poética de enunciação (Julia Kristeva), o jogo de metalinguagem aberto entre fotografia e imagem, fotografia e performance, fotografia e texto.

Adolfo Montejo Navas – ABCA / Paraná

 

A sismografia artística de Nervo Óptico começou aplicada pelo nome, pelo foco ocular como patrimônio especulativo e de experimentação. E pela atenção denotada e dupla no valor e transfiguração da imagem e da fotografia, pois ambas as coisas ainda não estavam tão claramente dissociadas. O que significava que quase se tratava de um grupo de investigação e ensaio com uma alta orientação para a fotografia expandida, ampliada, fora do registro canônico mais tradicional do meio e dentro também das possíveis metamorfoses gráficas (a produção alternativa de cartazes, livros de artista, reproduções diversas…); e, consequentemente, que já se lidava com uma interpretação da imagem diferente, com outras coordenadas de leitura e da performance imagética, pois, coincidindo com as novas visualidades dos meios de comunicação já em uso na época (década de 1970), não se poderia sonhar com uma arte confinada em especialidades, gêneros, essências, mas sim em combinatórias, hibridações, suportes transmutados. Assim como outra relação com o mundo, uma abertura de imaginários além da arte. Isto significará também trazer e dar conta de outras informações visuais, camaleonizar-se com os novos registros e comportamentos de uma sociedade visual que ainda não tinha chegado a seu ápice de estetização como agora. Esta visão crítica da imagem representou, portanto, uma problemática rica e intensa do que fazer com a imagem, sobretudo com a fotografia, ou seja, construindo ou configurando outro pensamento visual, em regime de exploração/indagação.

Neste sentido, Nervo Óptico se corresponde com o melhor espírito da época, com aqueles anos 1970 cuja contrassenha era a profusão de linguagens em estado de invenção-experimentação, como herança das neovanguardas, modificando não só o local da obra de arte quanto sua natureza, a interlocução. Foi, portanto, um dos últimos grupos de vanguarda do Brasil – lembremos só a companhia e passagem fulgurante da radicalidade contestatária do poema-processo (1967-1972) –, tendo manifesto expresso (assinado em 1976 em Porto Alegre), ou seja: intenções críticas e contestação artística, fruto da leitura crítica da época (em que o mercado começava a engatinhar, comparado com seu lugar de preeminência como mainstream econômico-cultural de agora, mas produzia certo engessamento como sistema artístico-institucional).

Em flashback

Em uma simples vista, mas em flashback, com a perspectiva mais cômoda que oferece a história, Nervo Óptico se reconhece em otimizar o jogo de linguagem com a imagem, de tal forma que assume certo risco quase lúdico de operar, manipular e explorar não só o repertório e imaginário da arte ou de suas linguagens, mas sua ubiquidade e correspondência com o mundo circundante, o lugar crescente que a imagem como visibilidade vai ocupar na sociedade de forma tão ambígua quanto ambivalente. Aliás, “ancorados na arte como pesquisa”, como diz Ana Albani de Carvalho (curadora da mostra-aniversário de 40 anos do grupo), e leia-se também como prática, produz-se uma valorização do work in progress, das atividades continuadas, da obra em associação, outro patamar de obra que dessacralizará a seriedade da peça absoluta, a sua nobreza patrimonial. E até o rosto com que se apresenta como emblema: a foto coletiva do grupo (Sarampo, 1978) com manchas pintadas na cara como com uma epidemia é todo um símbolo do humor, um elemento lúdico crucial e constante de Nervo Óptico, curiosamente numa época de chumbo nada proclive a esta erosão do espírito oficial a rigor. A inclusão da obra anterior à formalização do grupo, Triacantho, 1975 (painéis fotográficos fantasmagóricos de Carlos Pasquetti, Mara Alvares, Clóvis Dariano e Fernanda Cony), não só significa o embrião de Nervo Óptico, como também obedece a este campo semântico da ironia visual, bem manifesta depois em outros autorretratos cultivados (Carlos Pasquetti, Vera Chaves Barcellos, Telmo Lanes).

 

Várias obras particulares de Carlos Pasquetti, Clóvis Dariano, Vera Chaves Barcellos ou Mara Alvares, Carlos Asp e Telmo Lanes serão seminais, quase premonitórias de caminhos percorridos depois, quando a arte descobre a fotografia quase como suporte ideal da contemporaneidade – ironias históricas à parte, sabendo as relações de atrito entre elas. Deste modo, apresentam-se ousadias conceituais que ligam imagem-fotografia-performance-objeto em equações incomuns para a época, sobretudo no Brasil, mas não só nos limites nacionais, pois tratava-se de um conceitualismo fotográfico sui generis que extrapolava a denominação, até pela sua praxe comunicativa. É o caso da fotografia dos pés com a cadeira real ao lado como objeto em relação de contiguidade, mas de presença-ausência (Um dia eu volto, 1978, de Clóvis Dariano e Telmo Lanes), que abre uma fenda menos tautológica que os exemplos de Kosuth.

Resulta instigante, como exemplo quase coletivo, permeado em várias obras de diversos membros do grupo, a inscrição na paisagem como território em exploração, as diferentes respostas a um dos motivos standard da pintura e da fotografia: as análises de sinais-signos de Vera Chaves como leitura enfrentada entre o código e a linguagem em Epidermic scapes (1977), microcosmos do tecido da pele como paisagem, ou Adansônias (1977), as diferentes performances desnudas na paisagem de Mara Alvares (que Rodrigo Braga religará em nosso tempo com outras direções e simbologias), onde o corpo feminino mergulha numa dança com a terra-mater (árvores ou pedras, em sintonia com as experiências de siluetas na natureza de Ana Mendieta no mesmo período com A Silueta Séries), ou a identidade acidentada de Diálogos silenciosos (1977) de Carlos Pasquetti, em que o lugar que ocupa a natureza é violentamente incorporado como autorretrato visceral, ou ainda as fotomontagens de Clóvis Dariano, Paisagem sobre paisagem (1977), em que a simples superposição de duas cópias diferentes de tamanho da mesma paisagem cria um abissal efeito perceptivo que faz duvidar entre a representação-simulacro e a cópia-original, como vislumbrou Magritte em suas frestas pictóricas (tão linguísticas quanto pré-conceituais).

Um outro tempus e intensidade

Apesar do período breve de atuação (1976-1978), se se considera o grupo só e não o espaço Nervo Óptico – com outros componentes diferentes e atuação, que, portanto, pertence a outra história –, toda sua intensa trajetória não se pode medir nunca pelo calendário, até porque as atividades artísticas criam sempre outro tempus e intensidade, têm um destino diferente. Ainda que seja já um nome consagrado na história da arte brasileira última, pesa a geopolítica artística, daí a importância da mostra no Centro Cultural São Paulo, de sua itinerância na exposição atual apresentada na Fundação Vera Chaves Barcellos.

Em Nervo Óptico: 40 anos, celebra-se não apenas o tempo, a história, mas também certa poética de enunciação (Julia Kristeva), o jogo de metalinguagem aberto entre fotografia e imagem, fotografia e performance, fotografia e texto, o valor gerado com as proposições – e não só obras –, certo desejo de vocabulário visual que ainda abriga surpresas para quem não tem memória óptica ou liberdade perceptiva. Aliás, aquela pergunta inquietante de o que as imagens realmente querem? (formulada por W.J.T. Mitchell em 2005) já estava aqui, anunciando-se nesse espaço entre, limítrofe, entre o que se comunica e o que foge disso, como imagética, portanto, que pedia interlocução, diálogo – alguma vida a mais (emprestada) tanto para o aquém quanto para o além da imagem: havia já o anseio de outra corporeidade visual para suas fotos-metamorfoses, interrogações.