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Vera Chaves Barcellos na Espanha

A artista brasileira Vera Chaves Barcellos, ao lado do também brasileiro Éder Santos e do espanhol Evru, participa da exposição El mundo em su espuma, na Galeria Ángeles Baños, em Badajoz, Espanha.

Inspirado no poema de José de Espronceda, El Diablo Mundo, o título da exposição faz referência ao tema que norteia esta seleção de obras e artistas: a complexa relação entre realidade e ficção.

Ainda que de forma bem diversa, a artista brasileira Vera Chaves Barcellos, o  artista também brasileiro Eder Santos e o artista de Barcelona  Evru compartilham um interesse especial pela criação visual  e poética de outros mundos. Os trabalhos selecionados pela curadora da mostra, Claudia Giannetti, propõe uma reflexão sobre a construção simbólica e cognitiva das realidades, sempre plurais, mesmo que individualmente únicas.

(Registro da obra Casasubu na exposição Fotografias, manipulações e apropriações no Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brasil).

Vera Chaves Barcellos, na série fotográfica Casasubu (2006), aborda a questão do simulacro a partir da  documentação de fachadas de casas de uma pequena cidade do sul do Brasil, Ubu, que se caracteriza pela insólita mescla de estilos e materiais. Determinados elementos destas fachadas são reproduzidos e combinados artificialmente para conceber novas casas inexistentes, convidando o espectador a um exercício de atenção. A cidade real se expande com construções virtuais.

Desde 1968, Albert Porta, conhecido primeiramente como Zush, e a partir de 2001 como Evru, vem criando seu próprio universo. Evrugo Mental State é o nome de “seu” mundo paralelo, no qual existem símbolos comuns a todos os Estados: alfabeto e idioma próprios, moeda , bandera, hino, passaporte, personagens. Em um território ao mesmo tempo artístico e científico, mental e místico. Nesta exposição  se apresentan 27 desenhos sobre papel que permiten ao público entrar no orbe “evrugui” através de seu mapa, sua escritura, sua moeda, personagens e máscaras que o habitam.

Com um estilo pessoal e inconfundível, Eder Santos se aproxima da imagem do mundo de forma poética. Alain Bourges dizia que seus vídeos despertam o sentimento de estar em frente a imagens que não representam a realidade, mas outras imagens. Na obra de videoarte Cinema (2009), Santos embarca em uma viagem no tempo por uma paisagem recôndita do interior de Minas,no Brasil: a dura realidade do campo parece esfumaçar-se em loops cíclicos, em diferentes velocidades. A série de videoesculturas Todos os santos aborda o sincretismo religioso e cultural, formalizado en figuras que remetem a diferentes construções de memórias e origens. Seu vídeo Projeto Apollo (2000) trata da questão atualmente tão debatida do fake e da pós-verdade da história.

O diálogo entre as obras selecionadas para exposição, instiga a reflexão sobre questões essenciais sobre a construção e compreensão das realidades humanas, bem como o grau de virtualidade presente em nossa práxis vital.

Vera ainda participa de uma mesa redonda sobre hibridismo e a transdisciplinaridade na arte contemporânea. Intitulado O poder das imagens além das categorias e disciplinas, o debate antecede a abertura da mostra e ocorre no dia 20 de abril no MEIAC - Museu Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo.

Nervo Óptico é tema de apresentação em CSO LISBOA 2017

Ana Albani de Carvalho, curadora da mostra Nervo Óptico: 40 anos apresentou no congresso CSO LISBOA 2017, comunicação sobre a atuação do grupo de artistas e sobre a mostra que atualmente está em cartaz na Sala dos Pomares.

A atuação do Nervo Óptico e as respectivas mostras, debates e estudos sobre o grupo de artistas estiveram presentes no CSO  Internacional Criadores Sobre outras Obras, que acontece em Lisboa até 12 de abril.

Ana Albani de Carvalho, professora e pesquisadora vinculada ao Instituto de Artes da UFGRS, destaca que ao apresentar sobre a série Triacantho (imagem em destaque) no Congresso CSO Lisboa 2017,  teve a oportunidade de mostrar, em caráter inédito, algumas imagens do making off desta série de fotografias que articula encenação para foto e intervenção em desenho. As fotos impressas, em grandes dimensões, também era um fato raro em 1975, quando a obra foi realizada em autoria coletiva por Carlos Pasquetti, Clóvis Dariano, Mara Alvares e Fernanda Cony. Essa obra pertence ao acervo da Pinacoteca do Instituto de Artes da UFRGS e pode ser vista na exposição Nervo Óptico: 40 anos até 22 de julho na Fundação Vera Chaves Barcellos, Sala dos Pomares.

NERVO ÓPTICO: 40 ANOS em matéria do Segundo Caderno da Zero Hora

Na última sexta, o Segundo Caderno do jornal Zero Hora, deu destaque à exposição Nervo Óptico: 40 anos, que abriu no último sábado, 1° de abril, na Sala dos Pomares.

 

Coletivo de artistas pioneiro no uso da fotografia, Nervo Óptico é celebrado em exposição
Mostra está aberta para visitação entre 1° de abril e 22 de julho

Por: Luiza Piffero

No mercado de arte da Porto Alegre dos anos 1970, ainda emergente, havia lugar garantido para pintura, gravura e escultura. Mas a fotografia era uma estranha nas galerias e nos museus. Um grupo de jovens artistas estava prestes a mudar isso e entrar para a história da arte brasileira. Eram Carlos Asp, Carlos Pasquetti, Clóvis Dariano, Mara Alvares, Telmo Lanes e Vera Chaves Barcellos. Atendiam pelo nome Nervo Óptico.

O período de dezembro de 1976 a setembro de 1978 bastou para que o coletivo revolucionasse o circuito das artes, trabalhando com super-8, performance e, especialmente, fotografia. Os integrantes não se colocavam como fotógrafos, mas artistas tomando a fotografia como ponto de partida para intervenções, fotomontagens, registros de performance e outros. Em abril, completam-se 40 anos do seu trabalho de maior repercussão, o cartezete Nervo Óptico. A Fundação Vera Chaves Barcellos aproveita a data para inaugurar, neste sábado, a exposição Nervo Óptico: 40 Anos.

O coletivo foi gestado em encontros de jovens artistas, muitos egressos do Instituto de Artes da UFRGS. A mais experiente era Vera Chaves Barcellos, que ouviu falar do “movimento” e passou a frequentar as reuniões:

– Foi nascendo um espírito crítico em relação às políticas culturais do Estado, e decidimos fazer um manifesto. Muitos ficaram com medo de ofender o mercado e não assinaram. A gente fala que não era contra o mercado, mas contra que o mercado dirigisse a valorização do objeto de arte.

Oito artistas assinaram o texto e promoveram, em dezembro de 1976, a exposição Atividades Continuadas, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs).

– Como era uma época em que havia certo silêncio em relação a qualquer coisa que se pudesse reclamar porque ainda estávamos na ditadura, houve essa acolhida grande por uma massa da cultura, e os debates foram acirrados e entusiasmados – recorda Vera.

Em abril de 1977, reduzido aos seis integrantes definitivos, o coletivo lançou o Nervo Óptico, descrito como “uma publicação aberta à divulgação de novas poéticas visuais”. Cerca de mil exemplares foram impressos e distribuídos gratuitamente. Até 1978, outras 12 edições mensais seriam publicadas, apresentando geralmente o trabalho fotográfico de um artista do grupo ou convidado. Eram folhas impressas em preto e branco, o contrário do que se entendia como uma obra “vendável” na época e por isso acabavam por questionar o próprio conceito de arte.

Exemplares do Nervo Óptico e autores das obras reproduzidas: número 11 (Vera Chaves Barcellos), 12 (Telmo Lanes e Clóvis Dariano) e 13 (Liliana Porter)
Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

– De certa maneira, a gente não queria pintar. Quase todos da minha geração iniciaram a carreira pensando na pintura como meio, mas acho que a fotografia objetivou mais o olhar, nos deixou mais conscientes do mundo ao redor –recorda a artista.

Os cartazetes viajaram o mundo – foram feitos para isso. O grupo assumiu o nome da publicação e teve dois anos de intercâmbio intenso. Reuniam-se no antigo estúdio de Clóvis Dariano, na Rua Garibaldi, onde faziam experiências com fotografia e super-8, uns servindo de modelos para os outros.

– Um tipo de produção que pudesse ser distribuída quebrava a ideia da arte entronizada em um museu, da peça única que você tem que ter uma relação de respeito e quase de adoração. Era uma proposta de aproximar, discutir e estabelecer com o público um outro tipo de contato com a arte – interpreta a curadora da exposição Nervo Óptico: 40 Anos, Ana Albani, que pesquisa o grupo desde o início dos anos 1990.

A ruptura não foi bem recebida por todos. Uma crítica incisiva partiu do artista Danúbio Gonçalves. Em 1978, ele escreveu no Boletim do Margs que a fotografia seria um recurso usado por artistas que não dominavam o desenho. Atacou diretamente o Nervo Óptico, chamando-o de “sarampo” das artes, já que a doença costuma acometer crianças e durar pouco tempo.

O grupo não demorou a responder. Enviou para o Atelier Livre, instituição da qual Danúbio era diretor, uma fotografia de seus integrantes cobertos de pintinhas vermelhas (a obra reproduzida acima). Esse senso de humor era uma marca do Nervo Óptico e uma estratégia incomum nas obras da época, segundo a curadora. Em 1978, o Nervo Óptico fez sua última exposição e decidiu encerrar a publicação dos cartazetes, que hoje, ironicamente, são itens valiosos em acervos de museus.

 

Experiências fotográficas assumem o protagonismo

Depois de passar pelo Centro Cultural São Paulo, a exposição Nervo Óptico: 40 Anos será inaugurada sábado na Sala dos Pomares da Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB), em Viamão. Com exceção de alguns documentos – como fotos de bastidores e estudos para obras –, o catálogo segue o mesmo da mostra de São Paulo. O que muda é a montagem, adaptada ao novo espaço.

A curadora Ana Albani e a artista Vera Chaves Barcellos diante de obras históricas do Nervo Óptico
Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Estão reunidas mais de 70 obras das coleções Fundação Vera Chaves Barcellos, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, Margs, MACRS, Bolsa de Arte e dos próprios autores. É uma chance de ver todos os cartazetes Nervo Óptico, já que atualmente alguns têm o status de raridade, e as obras que os estamparam em tamanho ampliado.

– Trata-se de uma reunião de trabalhos que poderá não acontecer tão facilmente. E o que se observa é a contemporaneidade das imagens, em termos estéticos, e das questões que os trabalhos propõem: esse jogo de performance, de corpo, de espaço-natureza – analisa a curadora Ana Albani.

A mostra enfatiza o experimentalismo do coletivo, o caráter lúdico das obras e o protagonismo da fotografia (ao invés de suportes então hegemônicos, como a pintura e a escultura). São buscas que garantiram ao coletivo um lugar cativo na história da arte brasileira.

– Não se tem notícia de um grupo que tenha investido tanto no uso da fotografia como arte contemporânea no país – afirma a curadora.

O coletivo foi tema de Ana Albani em seu mestrado, entre 1991 e 1994, quando a bibliografia sobre o assunto era inexistente. Vinte anos depois, multiplicam-se os trabalhos acadêmicos que abordam o grupo. Autora de Espaço N.O., Nervo Óptico (Funarte, 2004), a professora promete lançar um livro maior sobre o grupo em 2018, “para fechar os 40 anos de comemorações”.

Antecedentes

A maioria dos trabalhos da mostra foi desenvolvida entre 1976 e 1978. Mas há também obras anteriores que apresentam as pesquisas individuais dos integrantes do grupo. Um exemplo é a série Testartes, de 1974, um jogo de imagens e indagações ao espectador proposto por Vera Chaves Barcellos. Antes de identificarem-se como Nervo Óptico, alguns artistas inclusive já colaboravam, como mostra Triacantho, de 1975, assinada por Carlos Pasquetti, Mara Alvares, Clovis Dariano e Fernanda Cony, que mistura performance, fotografia e desenho.

 

Jogo de imagens

A intervenção e a apropriação de imagens eram recursos bem usados. É o caso de Paisagem sobre Paisagem (1977), em que Clóvis Dariano cria uma ilusão ao registrar a sobreposição de duas fotografias do mesmo assunto, e de Golpe de Vista no Pão de Açucar (1977), em que Telmo Lanes desenha um varal sobre uma foto.

Obra da série “Paisagem sobre Paisagem” (1977), de Clóvis Dariano
Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS
Performance e fotografia

A combinação de performance e fotografia é uma marca do Nervo Óptico. Está presente, por exemplo, em Adansônia (1977), na qual Mara Alvares fotografa dançarinos em interação com árvores, e na série On Ice (1978), registro que Vera Chaves Barcellos faz da performance de Flavio Pons e Cláudio Goulart na superfície congelada de um lago em Amsterdã. Uma das obras mais curiosas e bem-humoradas é Íntimo Exterior (1978): Telmo Lanes deixou uma unha crescer por meses, cortou-a e a fotografou em diferentes contextos.

Fotos da série “Íntimo Exterior” (1978): Telmo Lanes deixou uma unha crescer por meses, cortou-a e a fotografou em diferentes contextos
Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Documentos

Duas salas da Fundação Vera Chaves Barcellos exibem documentos como catálogos e convites de exposições do Nervo Óptico, além de obras de dois artistas, Romanita Disconzi e Jesus Escobar. A dupla assinou o manifesto contra as políticas do mercado de arte lançado pelo coletivo em dezembro de 1976, mas não seguiu trabalhando com o grupo. Na mesma sala das obras, é possível sentar e assistir ao documentário Nervo Óptico: Procura-se um Novo Olho, de Karine Emerich e Hopi Chapman.

Vera Chaves Barcellos diante da obra “On Ice”, de 1978, em que fotografou uma performance sobre um lago gelado
Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Nervo Óptico: 40 anos
Abertura sábado (1º de abril), das 11h às 17h, com visitação de 1° de abril a 22 de julho, de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h30min.
Sala dos Pomares, na Fundação Vera Chaves Barcellos (Av. Senador Salgado Filho, 8.450, em Viamão).
Transporte: no dia da abertura, a fundação disponibiliza transporte gratuito de ida e volta ao centro de Porto Alegre, com saída em dois horários: às 11h e às 14h, em frente ao Theatro São Pedro (Praça da Matriz, s/nº). É necessária inscrição prévia pelos telefones (51) 3228-1445 e (51) 98498-5994 ou pelo e-mail info@fvcb.com.
Preste atenção: durante a abertura, também será lançado o livro Fotografia & Poesia: Afinidades Eletivas (Ubu Editora), de Adolfo Montejo Navas.

 

Da Capo no Mundo: Livro de Artista de Vera Chaves Barcellos em instituições internacionais

O MUSAC – Museu de Arte Contemporánea de Castilla y Leon –acaba de adquirir o livro de artista “Da Capo”, obra dos anos 70, de Vera Chaves Barcellos.

 

Exemplares da obra foram recentemente adquiridos pelo MACBA – Museu de Arte Contemporânea de Barcelona – e pelo museu madrileno Reina Sofia.

A obra tem título trazido do campo musical: “da capo” em música significa repetição. O livro de 1979 apresenta todas as páginas com as mesmas fotos, absolutamente iguais (interior de estação de metrô e interior de um vagão), legendadas com a ordem dos dias que passam. A seqüência subliminar, como destaca o pesquisador Prof° Dr° Paulo Silveira, é “a idéia do passar dos dias, iguais, um após o outro” (Trecho do livro “A Página Violada – Da Ternura à Injúria na construção do livro de artista”).

Abertura de NERVO ÓPTICO: 40 ANOS

No último sábado, a Fundação Vera Chaves Barcellos inaugurou na Sala dos Pomares a exposição Nervo Óptico: 40 anos. Em destaque: (da esquerda para direita: Vera Chaves Barcellos, Ana Albani de Carvalho, Fernanda Cony, Clóvis Dariano, Telmo Lanes e Carlos Asp).

Após uma temporada no Centro Cultural São Paulo, a mostra Nervo Óptico: 40 anos chega à Sala dos Pomares. Com curadoria de Ana Albani de Carvalho, a exposição apresenta apresenta trabalhos – em obras da época e em versões recentes – dos artistas que integraram o grupo: Carlos Asp, Carlos Pasquetti, Clóvis Dariano, Mara Alvares, Telmo Lanes e Vera Chaves Barcellos; além de obras de Romanita Disconzi e Jesus Escobar, artistas que participaram das atividades antecedentes à consolidação do Nervo Óptico. Documentos e registros fotográficos de performances e ações do período de atuação do grupo (1976 a 1978) também encontram-se em exibição na mostra.

A abertura da exposição contou com a presença interessada de artistas e teóricos atuantes no sistema das artes e do público em geral. Concomitante à abertura, o artista e crítico de arte Adolfo Montejo Navas realizou o lançamento do seu livro Fotografia e Poesia – Afinidades Eletivas.

E fique atento porque, com objetivo de avivar, estimular e aprofundar o debate em torno das ações do Nervo Óptico, a FVCB realizará uma ampla programação que engloba além das atividades do Programa Educativo, um ciclo de palestras com teóricos, artistas e agentes do sistema das artes; e a participação na 15ª Semana de Museus.

A mostra segue aberta para visitação até 22 de julho de 2017, sob agendamento prévio  pelos telefones: (51) 98229-3031 e (51)99949-0348 ou pelo e-mail educativo@fvcb.com.

Canal do Educador nº 96

Confira a primeira edição do Canal do Educador da FVCB de 2017.

 O Canal do Educador n°96 traz a inauguração da mostra Nervo Óptico: 40 anos, exposição que abre a temporada 2017 da Sala dos Pomares.  A Conversa com a Curadora Profª Drª Ana Albani de Carvalho, primeira atividade do Curso de Formação Continuada em Artes, e a programação do Curso também estão entre os destaques. Links para pesquisa on-line, dicas de cursos, indicações de leituras e a programação expositiva da região metropolitana também estão entre os destaques.

O Canal do Educador é um boletim quinzenal elaborado pela equipe do Programa Educativo da FVCB, enviado por e-mail a educadores e interessados em conhecer mais o universo das artes visuais. Interessados em receber o informativo, podem enviar e-mail para educativo@fvcb.com. Edições anteriores do Canal ficam disponíveis no site da FVCB:  fvcb.com.br/?page_id=1364

Conversa com Curadora abre Curso de Formação Continuada em Artes

A 13ª edição do Curso de Formação Continuada em Artes foi iniciada no último sábado, 1° de abril, na Sala dos Pomares.

 

Antecedendo a abertura oficial da exposição Nervo Óptico: 40 anos, o Projeto Educativo 2017 deu início às atividades com uma Conversa com a Curadora Ana Albani de Carvalho. Além de educadores do município de Viamão, da rede pública e privada, acadêmicos, artistas e público em geral também prestigiaram o evento.

A relevância do grupo Nervo Óptico no cenário local e em circuito nacional foi destacada pela curadora, que pesquisa sobre os artistas desde o início da década de 90. A contemporaneidade  das obras do Nervo Óptico também foram sublinhados por Ana, que deve voltar a participar do Curso, no dia 20 de maio.

A 13ª edição do Curso de Formação Continuada terá uma intensa programação que abordará aspectos históricos da atuação do grupo Nervo Óptico – atuante de 1976 a 1978. Entre os destaques do Curso, estão um encontro com os artistas que integraram o Nervo Óptico e uma oficina sobre cartazetes e experimentações fotográficas. Além disso, o Curso oferece orientações sobre a produção de projetos a partir da exposição em cartaz. Como a cada edição da Formação os temas são explorados de uma forma transversal e transdisciplinar, educadores de todas as áreas do conhecimento podem participar e desenvolver conteúdos específicos a partir do contato com as obras. A programação é inteiramente gratuita e recebe inscrições de forma permanente, pelos contatos (51) 988229 -3031 ou pelo e-mail:  educativo@fvcb.com. A participação nas atividades é certificada pela FVCB.

O cronograma do curso está disponível no site da Fundação: http://fvcb.com.br/?page_id=1050

Exposição sobre NERVO ÓPTICO abre programação de 2017 da Sala dos Pomares

Com curadoria da Profª Drª Ana Albani de Carvalho, a mostra – que teve temporada no Centro Cultural São Paulo – chega à Fundação Vera Chaves Barcellos – com inédita configuração. Uma ampla programação de atividades paralelas acompanha a exposição, que será inaugurada neste sábado, 1º de abril.

NERVO ÓPTICO: 40 ANOS

40 anos depois do lançamento do primeiro cartazete Nervo Óptico – publicação aberta a divulgação de novas poéticas visuais, a Fundação Vera Chaves Barcellos inaugura a mostra Nervo Óptico: 40 anos, que abre a programação expositiva de 2017 da Sala dos Pomares, no dia 1ª de abril, sábado, das 11h às 17h. Depois de uma temporada no Centro Cultural São Paulo (2016/2017), a exposição ganha inédita configuração, especialmente pensada para o espaço expositivo da FVCB.

Com curadoria de Ana Albani de Carvalho, a exposição apresenta trabalhos – em obras da época e em versões recentes – dos artistas que integraram o grupo: Carlos Asp, Carlos Pasquetti, Clóvis Dariano, Mara Alvares, Telmo Lanes e Vera Chaves Barcellos; além de obras de Romanita Disconzi e Jesus Escobar, artistas que participaram das atividades antecedentes à consolidação do Nervo Óptico. Documentos e registros fotográficos de performances e ações do período de atuação do grupo (1976 a 1978) também serão exibidos na mostra. Nervo Óptico: 40 anos é um convite para conferir a potência artística e a contemporaneidade do projeto Nervo Óptico.

Conversa com a curadora

Integrando a programação educativa que acompanha a mostra, o primeiro encontro do Curso de Formação Continuada em Artes será com a curadora Profª Drª Ana Albani de Carvalho, no evento de inauguração. A atividade inicia às 10h e é aberta ao público interessado. A entrada é franca.

O projeto educativo Nervo Óptico: 40 anos contempla além das visitas mediadas à exposição, a 13ª edição do Curso de Formação Continuada em Artes – programação gratuita direcionada a educadores e público interessado em geral – que promoverá encontro com a curadora da exposição e com artistas participantes do grupo, orientação na produção de projetos educativos a partir da exposição e uma oficina sobre cartazete e fotografia experimental.

Atividades Paralelas | Nervo Óptico: 40 anos

Com objetivo de avivar, estimular e aprofundar o debate em torno das ações do Nervo Óptico, a FVCB realizará uma ampla programação que engloba além das atividades do Programa Educativo, um ciclo de palestras com teóricos, artistas e agentes do sistema das artes; e a participação na 15ª Semana de Museus.

FVCB na Semana de Museus

Na Semana dos Museus, a FVCB realizará atividades em suas duas sedes. Em Viamão, haverá visita mediada à mostra Nervo Óptico: 40 anos, com Margarita Kremer, coordenadora do Programa Educativo.

Em Porto Alegre, no Centro de Documentação e Pesquisa – CDP – da FVCB, ocorrerão encontros sob a coordenação da curadora Ana Albani de Carvalho. Intitulada “Nervo Óptico e suas conexões | Estudos e Debates”, a programação abrange três encontros mensais, com disponibiliade de 10 vagas, com inscrição prévia.

Sobre Nervo Óptico

Responsável por uma intensa renovação no circuito artístico, o título Nervo Óptico abrange ações do grupo de artistas desde o lançamento do texto-Manifesto em 1976, passando pela criação e circulação dos cartazetes e pelas exposições realizadas até 1978, ano em grupo se desfaz.

“Publicação aberta a divulgação de novas poéticas visuais” o cartazete Nervo Óptico teve distribuição gratuita no Brasil e no exterior – aos moldes da arte postal – entre abril de 1977 e setembro de 1978, com tiragem de cerca de mil exemplares. Cada edição apresentou um trabalho desenvolvido especificamente por um artista, integrante do grupo idealizador ou convidado.

CDP recebe doação de publicações

No início do mês de março, o Centro de Documentação e Pesquisa, da Fundação Vera Chaves Barcellos, recebeu a doação de diversos catálogos de arte de Carolina Bouvie Grippa, bacharelanda em História da Arte pela UFRGS.

 

 

Situado na região central de Porto Alegre, o CDP salvaguarda documentos e livros relacionados a produção artística contemporânea em âmbitos nacional e internacional. Sendo uma fonte referencial para a realização de pesquisas deste segmento.

O Centro recebe doações dentro deste escopo e é aberto à pesquisa pública, de segunda à sexta, mediante agendamento. Ainda promove visitas mediadas ao espaço, também sob agendamento. Para outras informações, escreva para arquivo@fvcb.com 

Possibilidades e transgressões da imagem fotográfica em Vera Chaves Barcellos

No próximo dia 16 de março, acontece a abertura de Fotografias, manipulações e apropriações, exposição de Vera Chaves Barcellos, que contempla quatro décadas de produção da artista com e em fotografia.

A mostra poderá ser visitada no Centro Cultural Paço Imperial até 21 de maio de 2017.

A fotografia ocupa uma posição de destaque na trajetória da artista multimídia Vera Chaves Barcellos, desde a década de 1970.  Ao longo de décadas, a artista experimentou diversos modos de lidar e transformar a imagem, a partir de uma abordagem crítica, reflexiva e estética da fotografia – entre apropriações e manipulações.

Uma parte desta história estará em cartaz no Centro Cultural Paço Imperial, no Rio de Janeiro, a partir da próxima quinta-feira, 16 de março. Selecionados pela artista, os trabalhos contemplam quarenta anos de sua produção criativa. O texto de apresentação da mostra é da crítica e teórica Claudia Giannetti, pesquisadora em arte contemporânea e doutora em História da Arte pela Universidade de Barcelona.

Detalhe: Os Nadadores, 1998.

“Manequins de Dusseldorf”, 1978

Leia o texto na íntegra:

VERA CHAVES BARCELLOS

Fotografias, manipulações e apropriações

A exposição monográfica de Vera Chaves Barcellos exibe, por primeira vez no Rio de Janeiro, um amplo panorama da obra da artista gaúcha com e em fotografia. Vinte trabalhos, desde 1975, cobrem quatro décadas de criação, nos quais convivem dois tipos de produção: obras híbridas (fotografias manipuladas e imagens apropriadas de registros da mídia) e fotografias autorais. A linguagem serial, amplamente explorada, desencadeia múltiplas associações imagéticas e narrativas.

“A filha de Godiva “, 1994.

Seis eixos temáticos principais estabelecem diálogos temporais e nexos conceptuais e formais entre as obras. Gestos: Do aberto e do fechado, O grito, L’ Intervallo Perduto e The Birds. Expressões faciais e gesticulações comunicam emoções e estados ricos em significados, que, descontextualizados, podem transitar da eloquência para o silêncio. Heróis anônimos: Os Nadadores, Menexène e O Peito do Heroi. Os desportistas, os prisioneiros e os mitos personificam condições e valores socioculturais e políticos. As intervenções nas imagens reais, apropriadas da mídia, apagam suas identidades, como também acontece com nossas histórias e memória. Despojos: Manequins de Düsseldorf e Caixotes em três tempos. Os motivos insólitos das fotografias, encontrados por acaso, vinculam a noção de despojamento com a alusão irônica à nossa cultura do consumo e da uniformização. (Des)construções: Fata Morgana, Letrados e Casasubu. Nas sequências fotográficas, a primeira explora superposições gradativas de suas partes e as outras documentam insólitas fachadas frontais de edificações, sendo que na última as manipulações criam simulacros inexistentes na realidade. Retratos: Meus pés, Auto-retrato, A filha de Godiva, Cão veneziano e Retrato. Para a construção de figuras identitárias, sejam estas as de um carro, uma pessoa ou um animal, a artista recorre a ópticas singulares. Arte sobre arte: As you like, Jogo de damas e Zócalo. As reflexões acerca da arte, características do seu trabalho, ironizam sobre a arbitrariedade dos critérios de valor na arte e questionam os esteticismos de certos tipos de pintura.

Ao entender o ato fotográfico como processo e a fotografia como um campo de possibilidades e uma linguagem a transgredir, Vera Chaves Barcellos avançou no tempo e levou à prática as noções hoje tão em voga de pós-fotografia e meta-fotografia.

Claudia Giannetti

Claudia Gianetti é pesquisadora em arte contemporânea, estética, mídia-arte, e relações entre arte, ciência e tecnologia. Teórica e curadora, com formação interdisciplinar, é doutora em História da Arte pela Universidade de Barcelona. Nasceu em Belo Horizante.