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Posicionamento da Fundação Vera Chaves Barcellos sobre convocação do curador da QueerMuseu à CPI

A Fundação Vera Chaves Barcellos repudia a criminalização da arte efetivada pela convocação de Gaudêncio Fidelis à CPI dos Maus-tratos a crianças e adolescentes.

Em virtude dos últimos acontecimentos envolvendo a polêmica em torno da exposição “Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, exibida no Santander Cultural (Porto Alegre| RS) e da performance “La Bête” do coreógrafo Wagner Schwartz, realizada no MAM de São Paulo, a Fundação Vera Chaves Barcellos vem à público repudiar a criminalização da arte proposta pela CPI dos Maus-tratos à Criança e ao Adolescente, efetivada pela convocação do curador Gaudêncio Fidelis e do artista Wagner Schwartz a fim de prestar esclarecimentos.

A convocação coercitiva (revogada mediante o pedido de defesa de Fidelis) denota extrema ignorância e intenção conservadora de censura às manifestações artísticas por parte de componentes da Comissão Parlamentar de Inquérito, requerida pelo senador Magno Malta (PR-ES).

Estamos atentos ao retrocesso e ataques à liberdade de expressão que têm sido alimentados por motivações políticas interessadas em criar cortinas de fumaça para distrair a população em relação a questões de interesse público.

A convocação de Gaudêncio Fidelis é absurda e injusta na medida em que supõe que as imagens em exibição na mostra atravessariam sua condição de imagens e seriam animadas a ponto de causar real prejuízo ou maus-tratos a crianças e jovens.

Fundação Vera Chaves Barcellos | Novembro de 2017.

Canal do Educador nº 11

 

O Canal do Educador n°111 aborda a questão da instalação na arte contemporânea a partir da obra Duas mesas, da série Antessala, da artista Martha Gofre, em exibição em . Confira os destaques do boletim do Programa Educativo da FVCB. 

 

O termo “instalação” se difunde no campo das artes visuais a partir dos anos 1970. Antes disso, para designar as manifestações artísticas compostas por elementos específicos para um determinado espaço, a expressão utilizada era ambiente ou environment. Uma instalação pode ser efêmera, pensada e criada pelo artista para somente um local, o que pode caracterizar uma obra como site specific; ou ainda, ser recriada e remontada em outro ambiente, como no caso da obra Duas mesas em exibição na parte superior da Sala dos Pomares.

O trabalho, que integra a exposição , em cartaz na Fundação Vera Chaves Barcellos, se origina de uma pesquisa realizada pela artista, na qual Martha relaciona móveis suspensos do chão com elementos que os sustentam de forma instável. 

Nesta instalação, duas mesas são elevadas do solo por cabos em um sistema de roldanas, os dois contrapesos são formados por balões de borracha cheios d’água. O título da obra relaciona-se imediatamente com os móveis escolhidos, e a louça que está pousada logo abaixo de uma das mesas, cria concomitantemente no espectador uma sensação de suspensão e equilíbrio.

Além de abordar a obra da artista Martha Gofre, o Canal destaca o último encontro da 14ª edição do Curso de Formação Continuada em Artes da FVCB, que será dedicado à apresentação e debate de projetos e trabalhos realizados por educadores a partir das visitas mediadas à e dos encontros do Curso.

Uma breve biografia da artista acompanha o informativo que reúne também links para pesquisa on-line sobre a produção de Martha Gofre e textos que refletem sobre a presença de instalações em exposições de arte contemporânea. Dicas de palestras e eventos e a agenda expositiva da região também estão entre os destaques desta edição do Canal do Educador.

O Canal do Educador é um boletim quinzenal enviado por e-mail a educadores e interessados em conhecer mais sobre o mundo das artes visuais. Os conteúdos do Canal do Educador ficam disponíveis para acesso no site da FVCB. Caso você queira receber os conteúdos, basta entrar em contato com o Programa Educativo da FVCB: educativo@fvcb.com

 

Midiateca da FVCB

 

Os artistas Laura Cattani e Munir Klamt – o duo Ío, ao pensar o conceito da mostra Aã, convidaram alguns artistas para realizar trabalhos especialmente para a exposição, com interação direta com o espaço da FVCB, seja a Sala dos Pomares ou o entorno natural e seus agentes. No site da FVCB, podem ser acessados vídeos que registram o processo criativo dos artistas Élcio Rossini, Marina Camargo e Rogerio Severo.

No site da Fundação Vera Chaves Barcellos, na seção midiateca, encontram-se vídeos, artigos e links sobre a artista Vera Chaves Barcellos e sobre artistas com obras pertencentes à coleção artistas contemporâneos do Acervo da FVCB. Também é possível acessar registros documentais das exposições e atividades realizadas pela FVCB.

Frame do vídeo sobre Composteira, ideias em ações sobre o espaço, de Elcio Rossini, 2017.

Frame de Desvio, de Marina Camargo, 2017.

Frame do trabalho de Rogério Severo.

Recentemente, foram adicionados vídeos relacionados à mostra , com os trabalhos dos artistas Élcio Rossini, Marina Camargo e Rogerio Severo, que criaram projetos especialmente para o mostra.

Os vídeos podem ser acessados aqui:

[+] fvcb.com.br/?page_id=95

Curadores e Artistas participam do Curso de Formação Continuada em Artes da FVCB

No último sábado (18), a Casa Rural sediou um encontro dos curadores e artistas da mostra com o público de professores participante do Curso de Formação Continuada em Artes da FVCB. Saiba mais.

Integrando a programação da 14ª edição do Curso de Formação Continuada em Artes da FVCB, o evento O embate de ideias e a curadoria de artista em Aã reuniu os curadores Laura Cattani e Munir Klamt – o duo Ío – e os artistas Bruno Borne, Rogerio Livi e Rogério Severo num bate-papo com os educadores inscritos no Curso.

A Fundação Vera Chaves Barcellos através do seu Programa Educativo promove o Curso de Formação Continuada em Artes, iniciativa realizada com apoio da Secretaria Municipal de Educação de Viamão,  que fomenta e estimula o debate em torno da produção artística contemporânea. O 4° encontro desta edição do Curso possibilitou uma aproximação entre o público de professores e os processos criativos, tanto dos curadores quanto dos artistas convidados. Bruno Borne, Rogerio Livi e Rogério Severo foram convidados especialmente pelo du0 Ío,  portanto, a construção dos seus trabalhos foi feita a partir do espaço da Fundação Vera Chaves Barcellos, seja a Sala dos Pomares ou o entorno natural.

Com a Formação Continuada em Artes, a FVCB estimula uma abordagem pedagógica da arte contemporânea alinhada a uma compreensão do fenômeno artístico como motor do desenvolvimento e conhecimento humanos.  O Programa Educativo da FVCB entende que a promoção de debates com curadores e artistas conecta educadores ao especializado e complexo campo das artes visuais, qualificando as relações entre arte e educação, oportunizando novas visões e abordagens de conteúdos e temas  que atravessam os trabalhos em exibição nas mostras da Fundação.

O próximo e último encontro desta edição do Curso será no dia 02 de dezembro na Casa Rural – sede da Secretaria Municipal de Educação de Viamão, e será dedicado à apresentação de projetos e trabalhos realizados por educadores a partir da exposição .

Aã é tema de Pesquisa

 

 

Na última quarta (09) a Sala dos Pomares recebeu a vista da pesquisadora Juliana Proenço de Oliveira, bacharelanda em História da Arte pelo Instituto de Artes da UFRGS.

As relações entre texto e obra são o enfoque de pesquisa de Juliana Proenço de Oliveira, bacharelanda em História da Arte, pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

, mostra em cartaz na Fundação Vera Chaves Barcellos, foi escolhida para desenvolver o estudo de caso, por apresentar trabalhos que são acompanhados por pequenos textos, elucidativos sobre as obras em exibição. As possibilidades de leitura e formulaçõesde significados a partir desta interação entre discurso textual e visualidade movem a pesquisa.

 

Epidermic Scapes no 31° Festival de Arte de Porto Alegre

Vera Chaves Barcellos é o primeiro nome  a integrar o projeto de videoarte da Galeria da Cinemateca Capitólio Petrobras,  que será lançado no próximo sábado, 18 de novembro. Com curadoria de Marta Biavaschi e realização das Coordenações de Artes Plásticas e de Cinema, Vídeo e Fotografia, Epidermic Scapes traz o trabalho homônimo de Vera em uma versão atualizada.

 

 

Especialmente para este projeto, a artista realiza uma nova versão da série, em vídeo, deslocando as paisagens da pele para 2017 – 40 anos depois de serem exibidas em formato de um audiovisual, numa projeção de slides com a voz da artista, na mostra do grupo Nervo Óptico, em 1977. Em Epidermic Scapes, vídeo, 2017, os slides são digitalizados e a fala da artista ganha novo texto.

A série Epidermic Scapes (em sua versão fotográfica) está atualmente em exibição exposição Radical Women, em cartaz no Hammer Museum, L.A.

Canal do Educador n° 110

Desvio, trabalho site specific da artista Marina Camargo, ilustra a 110ª edição do Canal do Educador. Confira os destaques do boletim informativo.

Esta edição do Canal do Educador destaca a instalação Desvio da artista Marina Camargo, criada especialmente para a mostra Aã, a convite dos curadores Laura Cattani e Munir Klamt.

A partir da obra, o Canal do Educador aborda os conceitos de site specific e land art, ligados ao trabalho de Marina Camargo em exibição na mostra.

Além disso, o Canal traz ainda dicas de seminários e oficinas, indicações de leituras e sites para pesquisa on-line. Acompanha o informativo uma breve biografia da artista, além dos destaques da programação expositiva da região.

O Canal do Educador é um boletim informativo enviado quinzenalmente a educadores e interessados em saber mais sobre Artes Visuais. Para receber o boletim, basta enviar e-mail para educativo@fvcb.com .

Antônio Augusto Bueno em Aã

O artista Antônio Augusto Bueno foi um dos artistas convidados pelos curadores Laura Cattani e Munir Klamt para realizar um trabalho especialmente para a mostra . Confira o texto do artista sobre seu processo criativo para a obra Chão de pomelos, que está se encontra no pomar da FVCB.

Foto: Isadora Neuman.

Chão de pomelos
Instalação no pomar da FVCB

Quando visitei a exposição comemorativa aos 40 anos do Nervo Óptico na Fundação Vera Chaves Barcellos, fiquei um bom tempo no pomar, olhando uma grande quantidade de frutas caídas no chão em seus diferentes estágios de decomposição, contrapondo com as que ainda estavam nas árvores.  Essa imagem ficou registrada na minha memória e por casualidade poucos dias depois recebi um telefonema do Munir Klamt me convidando para a próxima exposição na Fundação. Ele comentou que gostaria que eu fizesse um trabalho para a área externa da Sala dos Pomares. No telefonema mesmo contei  sobre o que tinha me chamado a atenção e combinamos de irmos juntos até Viamão.  Chegando lá numa tarde chuvosa ficamos conversando e disse à ele que tinha imaginado fazer um molde de uma das frutas e a partir deste reproduzir em barro uma boa quantidade para colocar embaixo de uma das árvores. Fizemos uma conta aproximada do número de cópias que eu precisaria fazer e voltei com algumas frutas colhidas do pomar para o Jabutipê, meu atelier no centro de Porto Alegre. Das frutas que trouxe acabei escolhendo um pomelo para fazer o molde em gesso.

Decidi usar diferentes tipos de argila e também fazer queimas em diferentes temperaturas para conseguir uma variação de cores. Também fiz as paredes irregulares para que cada cópia ficasse diferente uma da outra mesmo tendo o mesmo molde de uma única fruta.

A partir daí tive como prática diária no Jabutipê a cópia de um pomelo do pomar da FVCB.

Alguns meses depois cheguei ao número de noventa e duas cópias e poucos dias antes da abertura da exposição passei uma tarde no pomar que já não tinha quase frutas nas árvores nem no chão. Foram algumas horas imaginando como cada fruta cairia da árvore e rolaria pelo chão. Acomodando peça por peça sobre a grama entre folhas secas.

Este trabalho de alguma maneira faz parte e dá continuidade ao que venho fazendo já há alguns anos.  A observação das marcas deixada pelo tempo em elementos da natureza, assim como a coleta, o registro e a transposição destes elementos. Gravetos, folhas de árvores, frutos, flores e sementes do pátio do Jabutipê, das ruas, praças e parques de Porto Alegre e  também de outras cidades que tenho visitado assim como de zonas litorâneas e rurais fazem parte do trabalho que vem se transformando lentamente dia-a-dia.

Antônio Augusto Bueno

 Outubro de 2017

 Saiba mais sobre a produção do artista nos sites:

[+] https://jabutipe.com.br/

[+] https://www.galeriamamute.com.br/

Pesquisa sobre Arte e Educação

O Centro de Documentação e Pesquisa da Fundação Vera Chaves Barcellos recebeu nesta terça (07), a visita de Priscila Moreira, graduanda em Artes Visuais | Licenciatura pela Universidade do Extremo Sul Catarinense. A pesquisadora investiga a formação de professores em espaços museais.

Situado na região central de Porto Alegre, o CDP está aberto à pesquisa pública, de segunda à sexta-feira, mediante agendamento prévio. Atualmente, o arquivo do Centro salvaguarda mais de 12 mil documentos relativos à memória da arte contemporânea nos âmbitos local, nacional e internacional.

Agende sua pesquisa: arquivo@fvcb.com ou pelo telefone: (51) 98102159.
Cópias reprográficas e digitais de documentos do arquivo e visitas guiadas ao arquivo documental estão entre os serviços prestados pelo CDP.
Saiba mais sobre o CDP:
[+] http://fvcb.com.br/?page_id=14

Claudia Paim em Aã

A artista visual Claudia Paim (Porto Alegre, 1961) integra a  exposição , em cartaz na Fundação Vera Chaves Barcellos.  Devastação, obra da coleção da artista, pode ser visto na mostra, que segue em exibição até 16 de dezembro.  Em entrevista, a artista conta um pouco do processo criativo que originou o trabalho.

“ [...] eu queria uma coisa aguda, uma coisa certeira, mas sem estridência”.

 

É desta forma que a artista Claudia Paim se refere ao impactante vídeo Devastação, pertencente a coleção particular da artista, e atualmente em exibição na Sala dos Pomares, na mostra .

No vídeo, através de imagens captadas por Jaqueline Lessa, vemos a artista realizar uma performance, na qual, de costas para a câmera, inicia um processo delicado e controlado de retirar os cabelos que se soltam de sua cabeça, efeito colateral do tratamento quimioterápico realizado por Claudia desde 2010, quando ela recebeu o diagnóstico de câncer.

Claudia conta que queria criar uma imagem do corpo que mesmo adoecido segue com forte pulsão criativa, apresentando “uma imagem do corpo doente, mas sem o desespero. É o que o corpo doente ainda pode produzir”. A obra demonstra, assim, de forma crua mas sutil, “o corpo devastado mesmo, por efeitos de uma quimioterapia, por efeitos de uma doença”.

O trabalho confronta o espectador a temas tabus como a doença e a morte: “Eu queria uma imagem muito delicada, muito silenciosa, mas intensa ao tratar de um tema que não é fácil. Ao tratar de um tema que é até tabu na nossa cultura: a doença e morte não são temas tratados, assim, com muita frequência, no mundo ocidental. De certo modo, tanto a doença como a morte, elas foram higienizadas do nosso cotidiano. Hoje os doentes vão pro hospital, a morte ocorre longe do ambiente doméstico também. Então, era tratar disso mas de uma forma muito delicada, bonita mesmo, sabe, muito direta, incisiva, mas delicada. Por isso que eu escolhi tirar os cabelos de uma forma muito controlada. Não é uma mulher arrancando os cabelos, é uma outra coisa, é um corpo que está secretando partes de si mesmo. De certa forma, é isso. Então por isso essa escolha do gesto lento, por isso a escolha do silêncio e por isso a escolha de não ter cortes, não tem movimentos de câmera”.

Confira a entrevista na íntegra:

Comunicação FVCB: Devastação é sem dúvida um trabalho agudo. Como se deu a concepção criativa do trabalho e como tu o vês no conjunto da tua obra? O título agudo e certeiro, gostaria que falasses sobre ele …

Claudia Paim: “Eu tenho câncer desde 2010. A primeira vez que eu fui diagnosticada, em 2010, quando eu comecei a fazer a quimioterapia que eu comecei a perder os cabelos, eu acabei produzindo uma foto. Uma fotografia que eu uso hoje, que é uma imagem muito interessante, que tem um enquadramento muito parecido com o do vídeo DEVASTAÇÃO: é um plano fechado, eu tô de costas, e eu tinha começado a perder os cabelos. Essa foto é em preto e branco, quem clicou foi a Jana Paim e ela é uma imagem que hoje eu uso como cartão de visitas, no verso do meu cartão de visitas.

Bem, em 2016, metástases, volta a quimioterapia e se instala a pergunta: e agora, o que este corpo ainda produz? Esse corpo ainda vai ter força para produzir? O que este corpo pode produzir? Eu tava na época participando de uma residência na Galeria Península, em Porto Alegre, e no dia que eu fui apresentar uma performance, foi o dia que comecei a perder o cabelo. Eu comecei então a tirar uns punhados de cabelo e a entregar para algumas pessoas e eu vi que isso era muito potente, as pessoas ficavam muito impressionadas com isso.

Então, eu tive a ideia “isso vai virar um vídeo”. Então eu tive essa ideia de fazer esse vídeo com esse mesmo enquadramento que eu tinha utilizado na foto. Era um vídeo que eu não queria que as pessoas vissem o meu rosto, eu não queria passar nenhuma noção de dor; eu não queria meu rosto desvelado, eu queria só esse gesto das mãos, uma coisa muito silenciosa, essa é uma opção do vídeo, não ter áudio, só as mãos que iam tirando aquele cabelo que simplesmente iam se desprendendo de mim. E foi isso, foi assim que nasceu esse vídeo.

A questão do título, eu acho que ele é um título muito direto mesmo. Ele é bem o que eu sentia naquele momento, e o que eu acho que essa imagem passava, o corpo devastado mesmo, por efeitos de uma quimioterapia, por efeitos de uma doença.

Eu gosto muito da imagem da fotoperformance de 2010 e gosto muito desse vídeo, acho que eles são importantes, são trabalhos que eu me sinto muito representada, pelo menos por enquanto, acho que são trabalhos que eu curti ter feito, eu gostei do resultado. Nem sempre isso acontece, mas dessa vez (dessas duas vezes) eu acho que são bons trabalhos.

Acho que é importante também dizer que para esse vídeo a Jackeline Lessa, que é uma artista bem jovem, tem um olhar primoroso, uma pessoa extremamente caprichosa na produção da imagem, foi fundamental. Isso que eu tava de costas e ela que foi afinando. Eu passei pra ela a ideia, mas ela que foi buscando, luz e tudo, para a gente conseguir chegar nesse resultado”.

Comunicação FVCB: Qual tua “expectativa” junto aos espectadores: como imagina ou desejou no momento de criação que teu trabalho fosse recebido?

“Eu não penso muito nisso, eu não dou conta muito disso. Eu penso no que eu quero produzir, eu queria uma imagem de algo que era … eu queria uma imagem muito delicada, muito silenciosa, mas intensa ao tratar de um tema que não é fácil. Ao tratar de um tema que é até tabu na nossa cultura: a doença e morte não são temas tratados, assim, com muita frequência, no mundo ocidental. De certo modo tanto a doença como a morte, elas foram higienizadas do nosso cotidiano. Hoje os doentes vão pro hospital, a morte ocorre longe do ambiente doméstico também. Então, era tratar disso, mas de uma forma muito delicada, bonita mesmo, sabe, muito delicada, muito direta, incisiva, mas delicada. Por isso que eu escolhi tirar os cabelos de uma forma muito controlada. Não é uma mulher arrancando os cabelos, é uma outra coisa, é um corpo que tá secretando partes de si mesmo. De certa forma, é isso. Então por isso essa escolha do gesto lento, por isso a escolha do silêncio e por isso a escolha de não ter cortes, não tem movimentos de câmera.

[...] é um corpo doente, mas que não quer parar de produzir. E é isso que ele conseguiu produzir. De certa forma,se autorizar algo que acontece com a doença, com o tratamento, algo que acontece com esse corpo é me autorizar a usar isso e a produzir uma imagem e a produzir… eu não sei o que eu queria produzir. Eu queria produzir exatamente isso: um vídeo delicado, mas nem por isso dotado de densidade e nem por isso desfalcado de sentidos.

É isso. Uma imagem do corpo doente. Mas sem o desespero. É o que o corpo doente ainda pode produzir e acho que o título, puta, era isso que eu sentia: vou ter que voltar para quimioterapia. Quimioterapia tem um efeito devastador, então é isso. O efeito de devastação sobre o corpo, mas sem desespero, sem drama, simplesmente, é isso aí. É isso que acontece: tá aqui, e eu posso fazer algo que toque o outro, que atravesse o outro, mas de uma forma que não seja bombástica nem planfetária, eu queria uma coisa aguda, uma coisa certeira, mas sem estridência”.

Sobre a artista

Claudia Paim (​1961, Porto Alegre – RS, Brasil) é artista visual com produção em performance, vídeo e fotografia. Claudia é doutora em Artes Visuais pela UFRGS e atua como docente na graduação e pós-graduação da FURG.

Saiba mais: www.claudiapaim.site