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Exposições Anteriores

Nelson Wiegert I Fórmulas Abstratas

De 21 de março a 18 de julho 2015, a Fundação Vera Chaves Barcellos apresentou a exposição Nelson Wiegert I Fórmulas Abstratas .

Com organização e expografia de Vera Chaves Barcellos e do próprio Nelson Wiegert, a exposição individual do artista destacou a mais recente produção no período: fotografias de grande formato, em preto e branco, que reproduzem intervenções sobre fórmulas matemáticas, gerando imagens de grande força e rigor. A esse conjunto de trabalhos, o artista denominou Fórmulas Abstratas.

A ideia da obra surgiu em uma visita ao Instituto de Mineralogia e Física de Munique no momento em que o artista observou fórmulas deixadas em um quadro negro. O trabalho é uma espécie de acerto de contas do artista com a matemática, campo do conhecimento humano que nunca antes havia despertado seu interesse.

A execução da obra revelou ao artista um novo método de desenho rápido sem a utilização do papel. “Por permitir apagar e refazer, o desenho a giz sobre o quadro é um ótimo método de trabalho, ágil e constante. Os desenhos selecionados são fotografados e computadorizados, podendo ser reproduzidos. As reproduções são igualmente selecionadas e, posteriormente, impressas como peças únicas. Com essa breve exposição, espero que este trabalho chegue ao espectador com o mesmo impulso livre que despertou em mim” afirma Wiegert.

A série ocupou toda a galeria do térreo da Sala dos Pomares. Desenhos, fotografias e colagens que esclarecem sobre o processo de construção da obra de Nelson Wiegert puderam ser vistas pelo público no mezanino. A mostra exibiu trabalhos da coleção do artista e do Acervo da FVCB.

Um Salto no Espaço

Dando prosseguimento às comemorações dos seus 10 anos, a Fundação Vera Chaves Barcellos inaugura no dia 23 de Agosto a exposição Um Salto no Espaço. Com organização da artista visual Vera Chaves Barcellos, que também preside a instituição, a mostra configura-se como uma múltipla abordagem do espaço tanto de sua forma mais literal, sua ocupação física, como de uma forma conceitual ou metafórica.

Partindo de Salto no Vazio, obra de Yves Klein, metáfora do fazer artístico por excelência, deste jogar-se de corpo inteiro numa ação de risco; e tendo como axis a representação museológica de um meteorito de Michel Zózimo, esta mostra, através de diferentes mídias, oferece um mergulho em tudo aquilo que pode gerar um trabalho artístico que se ofereça ao espectador como espaço de reflexão.

A exposição reúne um grupo expressivo de artistas brasileiros e alguns artistas europeus de diversas gerações, com trabalhos que apresentam desde a ocupação do espaço real à sua representação virtual, do espaço íntimo ao espaço urbano, do universo psicológico ao território social, da reconstrução ficcional ao documento do real, do cheio ao vazio, do sólido ao etéreo, da presença material ao jogo da imaginação.

Participam de Um Salto no Espaço: Angelo Venosa, Anna Bella Geiger, Claudio Goulart, Clovis Dariano, Daniel Acosta, Daniel Santiago, Elaine Tedesco, Eliane Prolik, Flávio Damm, Goto, Lucia Koch, Luciano Zanette, Marlies Ritter, Mário Röhnelt, Nelson Wiegert, Michel Zózimo, Pedro Escosteguy, Regina Silveira, Regina Vater, Rochelle Costi, Romy Pocztaruk e Vera Chaves Barcellos, além da participação especial de Grégoire Dupond e Yves Klein.

Organização: Vera Chaves Barcellos

Fotografia Transversa

“A fotografia é um instrumento perfeito para duvidar”

Fotografia transversa* quer indicar, de saída, uma condição contemporânea da imagem fotográfica: a de procurar uma transversalidade de linguagem (de intenções estéticas e semânticas), como outro caminho encontrado de hibridação artística que transversaliza territórios e posições em favor de uma visualidade mais viva. Algo que pode ser resumido tanto na distância do mimetismo representacional como da dialética binária imagem-realidade – que a fotografia de outrora ajudou a desenvolver como agora ajuda a desmitificar em seu reconhecimento de ficcionalidade –, e ao mesmo tempo, na potencialização de outros suportes e registros para uma imagem que favorece a transmutação visual e perceptiva. Reflete-se então sobre dois pontos comunicantes: a implosão e desvio do suporte tradicional, que se faz imagem múltipla, metabolizada com linguagens afins, e uma chamada fotografia plástica que não evita a fricção das imagens fixas e em movimento (a sua condição de entre-imagens).

Assim, Fotografia transversa procura indagar no conceito de uma “fotografia que está além da fotografia”, que está dentro e fora dela – que sabe virar do avesso a sua história e se ver em outra contextualização de significados e dimensões –; que se metamorfoseia em outra coisa não canônica (nem refém de códigos pré-categorizados), mas utilizando, porém, elementos do vocabulário fotográfico para abrir-se a outras estratégias representacionais de imaginários mais livres.

Nesta proposta, portanto, se privilegia aquela fotografia que conta com a experimentação do suporte de forma constitutiva, estrutural, e em suma, semanticamente. Isso permite abrigar experiências perceptivas que podem estar além da planaridade, da contemplação meramente retininiana – abrindo-se para outra sensorialidade mais múltipla, mais contaminada de sentidos –, e, evidentemente, além da leitura da imagem fotográfica como mero correlato documental. Fotografia transversa abriga, pois, experiências daquela fotografia que trabalha com dimensões objetuais e espaciais, e se articula com outros gêneros artísticos, apostando num meio híbrido de transformação visual. Como fotografia ampliada, então, os trabalhos aqui reunidos utilizam a fotografia como ponto de partida, mas não necessariamente de chegada.

Obs. Talvez a translação do conceito de fotografia para o de imagem – a imagem e semelhança de muita arte contemporânea seguindo os desígnios de um novo entendimento da visualidade – seja o leit motiv subjacente desta mostra. Fotografia transversa, de alguma forma, mapeia esse trânsito, ou melhor, esboça, adivinha esse salto estético, que não deixa de ser quântico em nossa época.

O termo ”transversa” *, referindo-se à certo tipo de fotografia, foi sugerido ao autor, em uma conversa com  Vera Chaves Barcellos.

           Adolfo Montejo Navas

Inéditos, ou quase…

O uso da fotografia e a exploração das qualidades intrínsecas da imagem técnica são procedimentos recorrentes na produção de Vera Chaves Barcellos, desde o início de sua trajetória artística. Alinhada com a vertente conceitual desde o final dos anos 1960, a importância concedida pela artista ao plano das ideias nunca se dá em detrimento da materialidade ou do apuro formal. Dito de forma mais precisa, o interesse de Vera Chaves pela imagem e pela fotografia passa pela atenção à forma, ao lugar e ao contexto de apresentação, assim como é direcionado ao exercício da linguagem e às referências ao próprio campo da arte e à sua história. A investigação sobre as relações entre pensamento e percepção constitui outro fundamento para a abordagem dos trabalhos reunidos nesta exposição, na medida em que a conduta perceptiva ou imaginativa do receptor/espectador é um dos focos de pesquisa da artista. O recurso à série, por sua vez, é outro ponto de conexão entre vários trabalhos apresentados em Inéditos ou Quase, por sua recorrência na produção de Vera Chaves ao longo destas quatro décadas de atividade. Mais do que um desejo de elaborar um tipo de narrativa visual, o trabalho com séries de imagens sinaliza o caráter processual da produção de uma obra artística, conectando o momento de sua concepção ao seu destino. Destino que se manifesta ao propiciar o compartilhamento de uma experiência estética que desestabilize as certezas e os lugares-comuns da vivência cotidiana. Ao atingir este caráter emancipador pouco importa se vemos uma obra pela primeira ou pela milésima vez.

Ana Albani de Carvalho

Limites Imaginário

A Fundação Vera Chaves Barcellos inaugura a primeira exposição de 2013, Limites do Imaginário, apresentando coletânea de obras de 25 artistas do acervo. Com organização de Neiva Bohns e Vera Chaves Barcellos a mostra exibirá esculturas, desenhos, gravuras, vídeos e instalações, e tem como artistas convidados: Lia Menna Barreto, Nelson Wiegert e Lorena Geisel, além de Tony Camargo, jovem artista paranaense que exibe seus Videomódulos no Rio Grande do Sul pela primeira vez. Abertura no dia 13 de abril das 11 às 17hs e visitação de 15 de abril a 20 de julho. Limites do Imaginário, a exposição que abre a programação anual da FVCB, tem organização e curadoria de Vera Chaves Barcellos e Neiva Bohns, profª na UFPEL e diretora cultural da FVCB. A mostra reúne trabalhos de artistas brasileiros e estrangeiros: Avatar Moraes, Begoña Egurbide, Bóris Kossoy, Domènec, Elcio Rossini, Lorena Geisel, Mario Ramiro, Mário Röhnelt, Marlies Ritter, Mauro Fuke, Michael Chapman, Patricio Farías, Ricardo Carioba, Rodrigo Braga, Rosângela Rennó, Sandra Cinto, Sol Casal, Suzy Gomes, Terry Wilson, Vera Chaves Barcellos, Vilma Sonaglio e Walmor Corrêa. Todas as obras integram a coleção da FVCB. A mostra contará ainda com trabalhos de quatro artistas convidados que, embora tenham obras na coleção da FVCB, apresentarão nesta mostra obras distintas. Lia Menna Barreto com destaque para sua Máquina de Bordar, da série “Sistemas cultivados”, trabalho que segundo a artista, embora datado em 1998, nunca foi exposto no sul; Tony Camargo, jovem artista de Curitiba que vem se destacando por suas videoperformances, apresenta ao público trabalhos da série Videomódulos; Nelson Wiegert, artista gaúcho radicado em Munique desde os anos de 1960 e que retorna com toda a força em suas recentes e impecáveis fotografias, e ainda Lorena Geisel, artista gaúcha que mostrará um de seus objetos inéditos, Nu feminino. A exposição Limites do Imaginário, numa espécie de reação ao rigor construtivo e racionalista da exposição anterior (dedicada à obra de Julio Plaza) propõe agora ao espectador o diálogo livre entre obras que provocam a imaginação do público sobre o que é real e o que é representação e inclui trabalhos em que se notam reverberações do surrealismo.

Julio Plaza, Construções Poéticas

 

De 15 de setembro a 21/dez/2012 a Sala dos Pomares acolheu a primeira exposição dedicada a um único artista. Escritor, gravador, artista intermídia, teórico e professor, Julio Plaza (Madrid,1938- São Paulo,2003)  é um artista importante tanto pelo  conjunto de sua obra e seu interesse desbravador no campo da arte e tecnologia,  como pelas gerações de artistas que influenciou em suas atividades didáticas exercidas na ECA-USP, na FAAP, na PUC-SP e na UNICAMP. Vera Chaves Barcellos e Alexandre Dias  Ramos respondem pela organização e curadoria da exposição propondo uma revisão expográfica inédita no RS de sua produção artística acrescida pelo aval de terem convivido ou estudado com o artista. A obra e a vida de Julio Plaza ainda não foram objeto de publicação e seus trabalhos permanecem pobremente reproduzidos. O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo prepara uma grande exposição sobre o artista programada para 2013.

Artista intersemiótico e com produção multimeios, pesquisador e expert em técnicas gráficas, Julio Plaza consolidou sua obra com pintura, desenhos e objetos ainda nos anos 60, sob o vetor construtivo. Desembarcou no Brasil pela primeira vez em 1967, integrando a representação espanhola que participou da 11ª Bienal Internacional de São Paulo, e como bolsista do Itamarati, para um estágio no ESDI, Escola de Desenho Industrial do Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1969, ano em que realizou o Livro-Objeto, com o editor argentino Julio Pacello.

No contexto brasileiro foi um desbravador da arte interativa promovida pelo surgimento de novas tecnologias da comunicação. Trabalhou com videotexto,  slowcam TV, holografia, fax e computação digital, partilhando e influenciando gerações de artistas no campo da arte mídia e protagonizando o processo de hibridação artística dos meios na chamada cultura das mídias. Pensador e teórico com reflexão aprofundada sobre os fundamentos poéticos da criação artística, e do papel determinante dos meios no imaginário digital, publicou textos fundamentais ao estudo das novas tecnologias aplicadas à arte, como Tradução Intersermiótica; Videografia em Videotexto e Processos Criativos com os Meios Eletrônicos: Poéticas Digitais, este em colaboração com Monica Tavares.A ideia de tradução intersemiótica, tema de sua tese de doutorado, perpassa toda a obra de Julio Plaza, e é entendida por ele basicamente como a transposição de uma peça literária, geralmente um poema (às vezes também uma pintura), para um outro código diferente (visual, sonoro), mantendo o sentido e o modo de funcionamento da peça original.  Plaza explorou essa proposta num número bastante grande de sofisticados experimentos e abrangendo praticamente todos os novos meios. Autor de vários livros de artistas publicou com o poeta concretista Augusto de Campos, os célebres  Poemóbiles, de 1968 e  Caixa Preta, de 1975, volumes impressos que permitem ao leitor transformá-los em objetos poéticos tridimensionais e ainda o livro-poema Re-Duchamp, de 1976, obras que serão exibidas na presente exposição.

Em depoimento da artista Inês Raphaelian,”Julio (Plaza) elabora uma espécie de poesia visual que muitas vezes sintetiza os princípios característicos da pintura (espaço) e da literatura (tempo).  Equilibrando-se entre o verbal e o não-verbal, promove uma fusão imaginativa entre sensível e inteligível, penetra as entranhas dos signos e ilumina suas relações estruturais.”Julio Plaza teve grande atuação igualmente como organizador de exposições desde seu estágio na Universidade de Puerto Rico, onde lecionou de 1969 a 1973 (ano em que se estabeleceu definitivamente no Brasil). Lá realizou uma das primeiras exposições internacionais de arte postal na América e, posteriormente, pela intensa colaboração com Walter Zanini, então diretor do MAC-USP, no inicio dos anos 1970. Foi curador do setor de Mail Art da “XVI Bienal de São Paulo”, em 1981. Em 1982 realizou no Museu da Imagem e do Som, em SP, a exposição “Arte pelo Telefone: Videotexto”, envolvendo artistas com produções relacionadas à poesia, narrativa e artes visuais a partir de recursos do videotexto e levada no ano seguinte para a Bienal de SP.

Em 1985, dentro da mostra Arte e Tecnologia, no MAC/USP, ele organizou uma das primeiras exposições coletivas de holografia, com obras suas e também de Augusto de Campos, Décio Pignatari, Moysés Baumstein e  José  Wagner Garcia,desenvolvendo conjuntamente projetos ligados à poesia concreta e  culminando  numa exposição mais ambiciosa dos mesmos artistas em 1987, no MIS, Idehologia. Contestador radical e bastante inconformado com o sistema da arte ao qual criticava de maneira sistemática foi autor de vários aforismos, entre eles: “Arte é um bem que faz mal.” Seu trabalho questiona os meios, o processo, a produção, o mercado, a autoria, a crítica, a instituição e tudo o que envolve arte e cultura no contexto em que se realizam.

A FVCB, com apoio do MAC-USP, produziu para a exposição o vídeo “Julio Plaza,o poético e o político”,  com direção de Hopi Chapman e Karine Emerich, da Flow Films. O documentário em média-metragem http://fvcb.com.br/?p=1689 gravado na Espanha e no Brasil traz depoimentos de artistas e intelectuais que conviveram com Julio Plaza. Vera Chaves Barcellos gravou pessoalmente em Madrid os testemunhos de Luis Lugán, precursor da arte tecnológica espanhola; de Julián Gil, veterano artista expoente do concretismo espanhol e Ignacio Gómez de Liaño, escritor e filósofo, todos, de uma maneira ou outra, vinculados à arte experimental e às vanguardas poéticas espanholas da década de 1960. No Brasil foram gravados depoimentos das artistas Regina Silveira, que foi casada com Julio Plaza durante 20 anos, Lenora de Barros e Inês Raphaelian. E ainda Cristina Freire, pesquisadora e vice-diretora do MAC-USP, Gabriel Borba, Martin Grossman e Ana Tavares, além do poeta Augusto de Campos.

Des Estruturas

De  14 de abril a 28 de julho de 2012 a Sala dos Pomares apresentou a  exposição Des|Estruturas, novo recorte no acervo que pretendia inicialmente diálogos entre obras de dois tipos: aquelas que partem de um projeto específico e claro e outras que dão mais lugar à intuição e ao momento do fazer e cuja produção está intimamente relacionada ao próprio processo.   No entanto, no decorrer da escolha pela organização da mostra, que teve curadoria de Vera Chaves Barcellos e Neiva Bohns, essa divisão entre a forma de elaboração de um produto artístico,  revelou-se, num segundo momento, demasiado simplista, já que alguns trabalhos, embora rigorosamente projetados e estruturados, também implicam a sua própria desestruturação. Isso prova mais uma vez que arte não é uma coisa simples.

Este conjunto de obras da coleção da FVCB, pertencentes a diversas épocas, dos anos 60 até a atualidade, reunindo autores tanto brasileiros como estrangeiros,  reafirma a arte como um fenômeno complexo e digno de ser estudado e analisado.

A mostra, contrapõe o gestualismo de Emilio Vedova ao rigor de Joseph Albers  e reuniu desde pequenas obras sobre papel, como as delicadas gravuras em metal da chinesa Lili Hwa, que valorizam o gesto, ao expressivo conjunto de 134 pinturas sobre papel de Lenir de Miranda sobre o tema de Ulisses. Potentes são os desenhos em 12 partes de Maristela Salvatori , a insólita instalação de Carlos Pasquetti , e  as monumentais esculturas construtivas de Eduardo Frota. E destacamos a obra emblemática como é o LC3 , um dos bichos de Lygia Clark, editados pela Limited Edition, de Londres, nos anos 1960, escultura transformável em múltiplas esculturas distintas. Muitas outras obras de grande interesse foram oferecidas nesta exposição ao espectador: um leque amplo e aberto à contemplação e à reflexão.

Vera Chaves Barcellos

Um Ponto de Ironia

 

Um ponto de Ironia,  exposição que ocupou a Sala dos Pomares  de 09/07 a 26/11/2011. Com curadoria da artista Vera Chaves Barcellos, em parceria com Ana Maria Albani de Carvalho e Neiva Bohns, a mostra apresentou um amplo conjunto de obras do acervo da FVCB inseridas no domínio das relações entre as artes visuais e a linguagem verbal. Exemplares de arte postal , cartazes, desenhos, gravuras, esculturas, fotocópias, fotografias, gravuras, instalações, livros de artista, objetos e vídeos em obras que fazem uso de imagens caracterizadas pela ambivalência e polissemia, do humor misturado ao drama, ao patético e ao absurdo. Muitas destas peças  inseridas na tradição das poéticas visuais inaugurada pela arte concreta brasileira como é o caso de Lenora de Barros, nome de destaque na confluência entre palavra e visualidade. Duas emblemáticas obras da artista foram expostas: Procuro-me, cartaz integrante do acervo do MAM/SP que teve nova impressão especial, e que também foi utilizada como peça de divulgação da mostra numa ação de colagem pelos muros da cidade, além do vídeo Homenagem a George Segal. Compreendendo um amplo espaço de tempo mas reunidas em conjunto, o contato com as obras propôs ao espectador aprofundar questões como a espetacularização da cultura, a tensão cotidiana pelo tempo cada vez mais acelerado, as convenções sociais e políticas através da força criativa de obras perpassadas pelo humor e pela dubiedade.

Artistas participantes: Alejandra Andrade, Amelia Toledo, Anna Bella Geiger, Anna Esposito, Antoni Muntadas, Antoni Miralda, Antônio Dias, Barry Flanagan, Bálint Szombathy, Bené Fonteles, Betty Radin, Cao Guimarães, Carlos Echeverry, Carlos Pasquetti, Claudio Tozzi,  Cláudio Ferlauto,  Cláudio Goulart, Clóvis Dariano, Donato Chiarello, Edgardo Antonio Vigo, Evandro Carlos Jardim, Fernando de Filippi, Ferrucio Dragoni, Flavio Pons, G. E. Marx Vigo, Gabriel Borba, Gretta, Guglielmo Achille Cavellini, Hans Peter Feldmann, Hudinilson Jr, J. Medeiros, Jailton Moreira, Jiri Georg Dokoupil, Joan Rabascal, Julio Plaza, Karin Lambrecht, Klaus Groh, Lenir de Miranda, Lenora de Barros, Leonhard Frank Duch, Luis Alberto Solari, Marcel-Li Antúnez Roca, Mario N. Ishikawa, Mário Ramiro,  Mariana Manhães, Milton Kurtz, Mirella Bentivoglio, Nelson Leirner, Patricio Farías, Paulo Bruscky,  Regina Silveira, Robert Filliou, Romanita Disconzi, Simone Michelin Basso, Telmo Lanes, Tomasz Schulz, Ulises Carrión, Unhandeijara  Lisboa,Vera Chaves Barcellos, Vera Salamanca e Vittore Baroni.

 

 

Pintura: da matéria à representação

Em 20 de novembro de 2010 foi aberta a exposição Pintura: da matéria à representação,  com a curadoria do artista plástico Mário Röhnelt. Nas palavras do curador: “A mostra reúne exemplares da produção de 13 pintores surgidos a partir dos anos 1980 e que constituem importante contribuição à prática da pintura brasileira. Cada um possui um discurso plástico próprio, uma maneira singular de domar a matéria do seu ofício e de enfrentar decididamente a imensa tradição da pintura e sua história.” Segundo M.Röhnelt, ele mesmo um dos nomes mais importantes da chamada geração 80 de artistas que renovaram a tradição da arte contemporânea entre nós, a mostra de desenvolveu sobre “uma estilística que vai da pintura expressionista abstrata à pintura figurativa de viés gráfico.” A exposição permaneceu aberta até 18/06/2011.
Artistas participantes: Frantz, Mara Alvares, Regina Ohlweiler, Heloisa Schneiders da Silva, Carlos Wladimirsky, Ricardo Mello, Karin Lambrecht, Gisela Waetge, Marilene BurtetPieta, Lenir de Miranda, Milton Kurtz, Alfredo Nicolaiewsky e Nelson Wilbert.

Silêncios e Sussurros

Em 29 de maio de 2010, a exposição Silêncios e Sussurros inaugurou a Sala dos Pomares, uma sala especialmente criada para expor e difundir a arte contemporânea. A mostra escolhida apresentou um recorte das cerca de 1.300 obras que formam a coleção de arte contemporânea da FVCB, abrangendo obras realizadas em diversas épocas e linguagens. O conceito expandido de silêncio está representado por trabalhos que incluem desenhos, gravuras, fotografias e plotagens, vídeos, objetos, esculturas e instalações de artistas de nacionalidades diversas como Mira Schendel, Regina Silveira, Sol LeWitt, Bob Wilson, Cao Guimarães, Christo, Carlos Asp, Mário Röhnelt, Lia Menna Barreto, entre outros. São cerca de 60 títulos na mostra que propôs abrir diálogos cruzados entre as obras; pensamentos sugeridos que se completem ou se interroguem, traçando ou mesmo, às vezes, ultrapassando linhas limitadoras e que, por isso mesmo, venham a enriquecer o conjunto. A mostra permaneceu aberta a visitação até 06/11/2010.
Artistas participantes
Adolfo Montejo Navas, Anna Bella Geiger, Bob Wilson, Cao Guimarães, Carlos Asp, Carlos Pasquetti, Carmela Gross, Carmen Calvo, Christo, Domènec, Eduardo Kickhöfel, Elaine Tedesco, Enric Mauri, Fernando Alday, Frantz, Gisela Waetge, GuilhermeDable, Hannah Collins, Helio Fervenza, Perejaume, José Rufino, Lenora de Barros, Leopoldo Plentz, Lia Menna Barreto,Luiz Barth, Luiz Roque, Mara Alvares, Mário Röhnelt, Marlies Ritter, Margarita Andreu, Michael Chapman, Mira Schendel, Nazareno, Nick Rands, Patrício Farias, Paulo Vivacqua, PepAdmetlla, Rafael França, Regina Silveira, Rintaro Iwata, Rodrigo Braga, Rufino Mesa, Sean Scully, Sol LeWitt, Teresa Poester e Vera Chaves Barcellos.