O pão nosso de cada dia (1978) é uma série de seis cartões-postais disposta em um saco de papel de pão. Anna Bella Geiger apropria-se de objetos cotidianos, paes, que configuram mapas do Brasil e da América do Sul, devorados pela própria artista, em que podemos refletir sobre uma desfavorável condição humana presente no continente latino-americano e no Brasil: a fome. Em outro dos cartões postais, ela apresenta um cesto contendo um pano branco; ali, observamos os desenhos dos dois mapas citados, o que causa uma sensação de ausência e vazio. Esta ausência de corporeidade, esta consumação da matéria, acabam por aludir a uma incompletude enquanto continente e nação.
Aqui, há uma espécie de fagocitose intrínseca, um devorar existencial e metafísico em uma América Latina que se autoconsume e é consumida em uma relação assimétrica com as nações hegemônicas. Os mapas e a situação geográfica de centro e de periferia têm sido uma preocupação constante na obra de Anna Bella, provável influências de seu companheiro de toda uma vida, seu marido, o destacado geógrafo brasileiro, Pedro Geiger.