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Lema
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Miniatura
Número de registro
C02188
Artista
Título
Lema
Data
2015
Denominação
Dimensões
25 x 15 x 3,8 cm
Texto para etiqueta
Marilá Dardot
(Belo Horizonte, 1973)
Lema, 2015
Caixa de madeira, espuma para carimbos e carimbo em madeira e borracha
Coleção Artistas Contemporâneos FVCB
Condições de reprodução
O uso de imagens é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos; outros usos mediante autorização, conforme a Lei de Direitos Autorais: Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Crédito obrigatório: Fundação Vera Chaves Barcellos.
Exposições
Textos
Notas do educativo
A obra é constituída por um grande carimbo com as palavras “não à ordem”, lema referido em seu título. O carimbo, em seu uso burocrático, é utilizado para normalizar, oficializar ou legitimar as mais diversas ações humanas, ou seja, serve para chancelar as trocas humanas no mundo administrado e registrar como válidas as inúmeras relações sociais, políticas e econômicas. Quando o carimbo é utilizado por artistas, o uso prosaico que dado a esse equipamento é subvertido e passa a ser usado para questionar o seu próprio poder de chancela, seja servindo-se da literalidade da linguagem, como no caso de Lema, seja utilizando-se de figuras de linguagem como o sarcasmo ou a ironia. O tom peremptório que subjaz ao grave ato de carimbar é subvertido por Marilá Dardot. Há uma opção pela desconstrução e pela dissolução da ordem constituída, uma constante no campo político e cultural e que possui o seu vértice nos meados do século XIX na Europa e na Rússia. É nesse momento histórico que surgem movimentos políticos como o anarquismo, nas figuras de dois russos: Piotr Kropotkin (1842-1921) e Mikhail Bakunin (1814-1876). Apesar de diferenças em suas estratégias e teorias políticas, ambos preconizavam a dissolução total do Estado e a autogestão como forma de organização social e econômica. É da literatura do país natal desses dois grandes teóricos anarquistas que surgirá um vocábulo que simbolizará, durante todo o século XX, essa vontade de desconstruir toda e qualquer ordem estabelecida. Trata-se do vocábulo niilista: “– O que Bazarov é? – sorriu Arkádi. – Tio, o senhor quer que eu lhe diga o que ele é, precisamente? – Faça-me esse favor, meu sobrinho. – É um niilista. – Como? [...] – Ele é um niilista – repetiu Arkádi. Niilista – disse Nicolai Petróvitch – Vem do latim nihil, nada, até onde posso julgar: portanto essa palavra designa uma pessoa que... que não admite nada?” (TURGUÊNIEV, 2004. p.46). Contudo, a história do século XX viria provar que ao destruirmos uma velha ordem, uma nova ordem ocupa o seu lugar instantaneamente, em uma evidente demonstração de que o poder não suporta o vácuo.
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