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Scenography
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Miniatura
Número de registro
C02258
Artista
Título
Scenography
Data
1977
Denominação
Suporte
Dimensões
31,5 x 45 cm (cada)
Texto para etiqueta
Claudio Goulart
(Porto Alegre, RS, 1954 – Amsterdã, Países Baixos, 2005)
Scenography, 1977
Fotocópia e colagem
Coleção Artistas Contemporâneos FVCB
Subcoleção
Claudio Goulart
Condições de reprodução
O uso de imagens é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos; outros usos mediante autorização, conforme a Lei de Direitos Autorais: Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Crédito obrigatório: Fundação Vera Chaves Barcellos.
Desdobramentos do item
Título
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Textos
Notas do educativo
Claudio Goulart produz, ao final dos anos 1970, a série Scenography (1977), utilizando colagens de figuras da arte, de dança e de circo, bem como a referência a um personagem importante do cinema daquela década: o cineasta italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975). Utiliza também a reprodução de pinturas, como a tela Les Glaneuses (1857), de Jean-François Millet (1814-1875), que aparece em diversos cenários, sempre com a representação de um muro vermelho de tijolos. Ao relacionarmos o título da série com a recorrência deste motivo, o muro, referência principal por onde transitam os diversos personagens das lâminas da série, aparece o conceito de montagem, tão caro aos primórdios do cinema e desenvolvido, principalmente, por Sergei Eisenstein (1898-1948). No livro “Notas para uma história geral do cinema”, o cineasta russo lembra-nos da capacidade do cinema em religar fatos e personagens da história que estão separados pelo tempo. Também é possível desenvolver uma analogia dessa série de Claudio Goulart com um dos temas e conceitos discutidos na contemporaneidade no âmbito da geopolítica internacional: as fronteiras e as suas consequências sociais e políticas, tais como, a migração, as diásporas contemporâneas e a xenofobia. O século XX foi pródigo em conflitos étnicos e políticos, que resultaram no estabelecimento de fronteiras entre povos, e na consequente construção de extensos muros sobre as linhas que separavam esses países. Os exemplos mais conhecidos são o Muro de Berlim, derrubado em 1989, as construções que separam os colonos judeus do povo palestino na Faixa de Gaza, tendo como resultado um enorme gueto a céu aberto, e, por último, os grandes esforços de extrema vigilância colocados em pritica pelos EUA na fronteira com o México, um processo que vem sendo intensificado pelo atual governo estadunidense. Em uma das lâminas selecionadas para a exposição da série, três trabalhadores carregam manequins desmembrados e desfigurados, arremessando-os para o outro lado, o muro coloca o olhar do espectador, como na quarta parede do teatro, causando um efeito de contenção do olhar: a impossibilidade do contato humano. Podemos imaginar o que há por trás do muro, como são as pessoas que vivem ali nesse perto-distante, seus hábitos e seus costumes, contudo, o mútuo desconhecimento permanece. Paradoxalmente, o estrangeiro está há poucos metros de nós e, ao mesmo tempo, distante. O outro como o diferente; o muro como a materialização violenta da cisão e da segregação que o ser humano pode infligir sobre o seu semelhante. Deste lado de cá, sem o conhecer, julgamos o estrangeiro e, do lado de lá, por ele somos julgados. Cenografias da desconfiança e do medo que acompanham a história das civilizações.
Material Educativo
Documento relacionado
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