As duas artistas presentes nesta lâmina têm a imagem feminina como ponto central de suas obras. Mitti Mendonça se aproximou dos fios e das linhas na infância, tendo como referência as mulheres de sua família; parte das técnicas que utiliza no seu processo criativo está presente por gerações. É a partir do bordado, da pintura, da colagem e da ilustração digital que seus trabalhos costuram questões de ancestralidade, memória, afeto e feminismo negro. Em comum com ela, Rochele Zandavalli tem trabalhos que utilizam suportes de tecido, crochê e bordados que congregam apropriação e intervenção em fotografias antigas. Em Brilho, luz e cor são protagonistas como forma de representação tanto quanto nos contrastes de cor no bordado de Mitti Mendonça. As duas artistas se autorretratam com arranjos estéticos de seu agrado. Mitti Mendonça, com o rosto emoldurado pelo penteado; Rochelle Zandavalli, de costas, com cabelos platinados combinando com o tecido paetê. Na fotografia, o primeiro autorretrato de que se tem registro aparece pelas mãos de Robert Cornelius (1809 – 1893), químico estadunidense que deixou a sua imagem para a posteridade, posicionando a sua câmera nos fundos da loja da família na Filadélfia, removendo a tampa da lente e correndo para dentro do enquadramento, permanecendo ali alguns minutos antes de cobrir a lente novamente.
Texto para o material educativo da mostra "Há Pouco?", 2026.