Felipe Ehrenberg (27 de junho,1943, Tlacopac, Cidade do México – 15 de maio, 2017, Cuernavaca, México) e Martha Hellion (Cidade do México, México, 1937), artistas mexicanos multimedia e conceituais cofundaram o coletivo Beau Geste Press, em Devon (1970–1976), juntamente com o artista e historiador da arte inglês David Mayor (1948 -Cullompton, Inglaterra). O coletivo tornou-se uma das mais influentes editoras independentes de vanguarda do período pós-guerra e é considerado por historiadores da arte e artistas contemporâneos um dos mais significativos projetos colaborativos transnacionais da década de 1970. Essa oficina/taller não convencional e comunidade de impressores tornou-se influente pela produção e publicação de objetos impressos caracterizados por uma estética nova, heterogênea e radical, frequentemente ligada à contracultura e ao apagamento das fronteiras disciplinares entre diferentes meios criativos, gênero e política. Em colaboração com artistas nacionais e internacionais, muitos dos quais associados ao movimento Fluxus, a BGP produziu diversos trabalhos em edições limitadas, livretos conceituais, panfletos, revistas, folhetos e cartões-postais, empregando técnicas experimentais de design gráfico, incluindo encartes, páginas dobradas, sinalização com estêncil, materiais aplicados, fotografias, carimbos e colagens, ao mesmo tempo que retomava procedimentos artesanais nos modos de produção gráfica.
Por meio desse importante centro criativo, Ehrenberg, que se autodefinia como um “neologista”, criou uma rede multidimensional de colaborações, muitas vezes ecléticas e intermidiáticas, fundamentada em processos experimentais e alternativos de interação entre imagem e texto e centrada no Reino Unido. Em 1972, a Beau Geste Press lançou a lendária Schmuck, publicação periódica dedicada a ideias e práticas artísticas antiautoritárias, organizada em torno de culturas ou regiões específicas (French Schmuck, Teutonic Schmuck etc.). Artistas, poetas, músicos e teóricos importantes, como Cecilia Vicuña, Ulises Carrión, Helen Chadwick, Carolee Schneemann, Claudio Bertoni, Michael Nyman, Opal L. Nations e Ben Vautier, criaram artefatos gráficos pioneiros que se tornaram marcos da dimensão internacional de uma prática artística dissidente, exemplificada pela Beau Geste Press.