Jan Steklík (1938–2017) foi uma figura proeminente da cultura visual checa da segunda metade do século XX. A obra de Steklík caracteriza-se, por um lado, pela sua relação sensível com o material, derivada das raízes estruturais desta arte, e, por outro, pelo seu interesse no processo, na performatividade ou na transitoriedade da metáfora. A partir de 1963, juntamente com Karel Nepraš, foi diretor da associação artística de Praga Křížovnická škola čistého humoru bez vtipu (Escola dos Cruzados do Humor Puro sem Inteligência). Durante muitos anos, também pertenceu à comunidade conceptual de Brno, em torno de Jiří Valoch. A sua obra é típica da sua sensibilidade e poética idiossincráticas. O humor que beirava o absurdo facilitava a sua comunicação com um público vasto. Suas famosas intervenções, intituladas Aeroporto para as Nuvens (1970) ou Cervejaria Cósmica (década de 1970), traduzem o dom do artista para perceber a dimensão transcendental da realidade cotidiana. A tematização da realidade comum também reflete seus encontros decisivos com o movimento artístico italiano Arte Povera e com o Fluxus, movimento germano-americano.