Jeff Wall (Canadá, 1946) é fotógrafo e teórico da arte, associado à chamada Escola de Vancouver e à consolidação de uma fotografia conceitual e pós-conceitual no Canadá desde a década de 1970. Tornou-se conhecido por imagens de grande escala cuidadosamente construídas, muitas vezes apresentadas em caixas de luz, nas quais articula observação do cotidiano, encenação e referências à história da arte.
Parte de sua produção aproxima-se do que o próprio artista denomina “documentário próximo”: cenas observadas na realidade são reconstruídas com colaboradores e atores não profissionais, de modo a produzir uma tensão entre documento e ficção. Em Mimic (1982), por exemplo, Wall reencenou uma situação racista que havia testemunhado. Essa atenção ao cotidiano, à composição e às tensões sociais aproxima seu trabalho de procedimentos do neorrealismo cinematográfico, ao mesmo tempo em que transforma as imagens em construções minuciosamente dirigidas.
Wall também mantém diálogo constante com a tradição pictórica ocidental. Em The Destroyed Room (1978), o aparente caos é organizado por uma composição rigorosa; em After “Invisible Man” by Ralph Ellison, the Prologue (1999–2000), a proliferação de lâmpadas e objetos cotidianos produz uma espécie de vanitas contemporânea. Trabalhos como Insomnia (1994) e suas paisagens urbanas utilizam objetos banais, detritos, espaços comerciais e ambientes domésticos como signos de precariedade e contradição social, articulando beleza formal e inquietação.