Karel Miler (Praga, Tchecoslováquia, 1940) é historiador da arte e artista ligado à poesia visual e à arte de ação. No final da década de 1960 e início da década de 1970, dedicou-se à poesia visual, investigando especialmente os contextos semânticos e espaciais do código linguístico. Após conhecer Petr Štembera, em 1971, percebeu a possibilidade de transferir jogos semânticos para o corpo, iniciando uma série de ações corporais. Em Either – Or (1972), transpôs para o plano somático ideias de seus textos minimalistas; em Limits (1973), explorou duas posições extremas do corpo, primeiro recolhido e depois completamente estendido contra uma parede.
Mesmo no campo da body art, Miler adotou uma abordagem construtiva e pouco expressiva. Suas ações eram concebidas como situações conceituais precisas, registradas por enquadramentos rigorosos com câmera fixa. Raramente eram realizadas diante de público, funcionando sobretudo como performances para a câmera e chegando ao espectador por meio da fotografia. As obras da primeira metade da década de 1970 refletem, assim, a experiência da corporeidade no espaço e a incerteza da existência no mundo.
Durante seus estudos de História da Arte na Faculdade de Filosofia da Charles University, em Praga, Miler frequentou aulas de Jan Patočka, experiência que o aproximou de questões fenomenológicas. Sua utilização da fotografia também o distinguia de outros artistas tchecos ligados à arte de ação: em seus projetos espaciais, a obra se completava com a constituição de uma série fotográfica.