Petr Štembera (Pilsen, 1945) é uma das figuras centrais da arte de ação tcheca e uma das principais personalidades do círculo de body art de Praga. Desde 1970, também atuou na mediação de contatos entre artistas de ação dos dois lados da Cortina de Ferro. Em 1970 e 1971 realizou intervenções na paisagem, delimitando florestas ou introduzindo materiais artificiais em ambientes naturais; entre elas destaca-se Large Puddle (1970). Uma estadia em Paris, durante a qual permaneceu dez dias sem se alimentar, e a prática de ioga ao longo da década de 1970 contribuíram para seu interesse pelos limites físicos e psicológicos do corpo.
Nos anos seguintes, Štembera passou a utilizar o próprio corpo como sujeito, objeto e instrumento de experiências extremas. Em Grafting (1975), enxertou no braço um ramo de arbusto; em Sleeping in a Tree (1975), após três noites sem dormir, passou a quarta noite sobre uma árvore. Suas ações, inicialmente realizadas no campo e depois apresentadas a pequenos grupos de espectadores em soirées secretas, investigavam dor, risco, resistência e comunicação, recorrendo em alguns casos a materiais instáveis como fogo e ácido. Para o artista, a performance funcionava como afirmação da ação e da vontade individual em um contexto político marcado pela “normalização” tchecoslovaca, aproximando-se de questões existencialistas e da busca por liberdade em uma sociedade sem liberdade.
Por volta da metade da década de 1970, Štembera integrou um círculo de artistas de performance que incluía Karel Miler e Jan Mlčoch. No final da década, decidiu encerrar suas atividades performáticas, tanto por esgotamento quanto pela percepção de que riscos artificialmente construídos se tornavam problemáticos diante das ameaças reais enfrentadas por dissidentes e signatários da Carta 77. A decisão também se relacionou a seu crescente interesse por outras práticas psicofísicas, incluindo artes marciais orientais.