Rudolf Sikora (Žilina, Tchecoslováquia, atual Eslováquia, 1946) é uma das personalidades mais originais da arte eslovaca surgidas no início da década de 1970. No contexto da arte pós-conceitual da Europa Central, distingue-se por sua atenção às questões ecológicas, cosmológicas e sociais, desenvolvidas por meio de composições híbridas que combinam pintura, escultura, desenho, gravura e fotografia. Suas exposições costumam ser concebidas como instalações ajustadas ao espaço expositivo, reunindo obras diferentes em uma unidade conceitual baseada em temas e motivos comuns. Por isso, frequentemente são interpretadas como obras complexas e integradas. Sikora situa as origens de sua cosmogonia particular no legado do Kazimir Malevich e do construtivismo russo, especialmente na poética dos sinais e motivos característicos que acumulam e condensam energia simbólica. Durante o período de normalização na Tchecoslováquia, fundou em Bratislava, em 1970, o Primeiro Ateliê Aberto (First Open Studio), um espaço alternativo de exposições que se tornou cultuado por artistas e intelectuais.
Ali eram organizados debates públicos, encontros e oficinas, transformando-se em um dos principais centros da arte conceitual na Europa Central. Embora sua obra esteja centrada em reflexões sobre a humanidade, o significado da existência humana neste “pequeno planeta” e sua posição no espaço e no tempo, seu envolvimento social trouxe dificuldades perante o regime comunista. Publicações organizadas por ele, como a antologia Symposium I (1973), foram proibidas pela polícia secreta. Por vias diplomáticas, foi impedido de participar de exposições e concursos internacionais, como a International Poster Biennale in Warsaw, e até 1988 teve negado o ingresso em associações profissionais oficiais de artistas. Sikora também realizou numerosas palestras sobre as relações entre esoterismo, ecologia, astronomia e criação artística. Seu interesse ontológico e cosmológico despertava suspeitas por parte das autoridades estatais, que consideravam esses temas excessivamente universais e insuficientemente alinhados às exigências ideológicas da luta de classes.
No final da década de 1970, durante a véspera de Natal, nos arredores de Zvolen, realizou uma intervenção na paisagem intitulada Out of Town I. Abandonando simbolicamente o espaço do ateliê em busca de novos contextos para a arte, marcou um campo coberto de neve com uma grande seta traçada em pigmento vermelho. Posteriormente desenvolveu novas versões da obra sob a forma de serigrafias, intituladas Out of Town II e Out of Town III. Essa ação exemplifica um aspecto fundamental de sua produção: a tentativa de expandir a arte para além dos limites institucionais, conectando o pensamento conceitual às questões cósmicas, ambientais e existenciais. Ao situar o ser humano dentro da imensidão do universo e da fragilidade ecológica da Terra, Sikora tornou-se uma das figuras centrais da arte conceitual e pós-conceitual eslovaca e da Europa Central.