Zorka Ságlová (Humpolec, Tchecoslováquia, 1942 – Praga, República Tcheca, 2003), nascida Zorka Jirousová, foi pintora, artista gráfica, têxtil e de performance, além de figura ligada à cultura dissidente tcheca. Estudou entre 1960 e 1966 no ateliê têxtil de Antonín Kybal na Academia de Artes, Arquitetura e Design de Praga. Após a formação, desenvolveu pinturas, relevos e objetos espaciais relacionados à abstração geométrica e à arte cinética; em 1968 participou de Nová citlivost (Nova Sensibilidade), exposição considerada um marco da arte tcheca do pós-guerra.
No final da década de 1960, Ságlová levou parte de sua produção para fora das galerias e organizou ações performáticas ao ar livre com familiares e amigos. Entre 1969 e 1972 realizou quatro eventos documentados pelo fotógrafo Jan Ságl, com quem era casada, combinando referências à land art, humor absurdo, lendas locais e história tcheca. Manteve vínculos estreitos com a cultura underground, colaborando com músicos e grupos como The Primitives Group e The Plastic People of the Universe. Em 1969 realizou sua primeira exposição individual, na Galeria Václav Špála, onde instalou fardos de feno e palha; a reação negativa da imprensa oficial e do meio artístico contribuiu para sua exclusão do circuito institucional, e ela permaneceu quase vinte anos sem expor oficialmente na Tchecoslováquia, embora registros fotográficos de suas performances circulassem em exposições no exterior.
A partir de 1973, em meio ao agravamento da normalização política, Ságlová afastou-se temporariamente da esfera pública e dedicou-se à tecelagem de grandes tapeçarias. Posteriormente, o coelho tornou-se um motivo recorrente em tapeçarias, pinturas estruturais, fotografias e ações, culminando em 40 rabbits (1988), intervenção com bandeiras brancas e silhuetas de coelhos. Sua grande retrospectiva foi realizada em 2006 na National Gallery Prague e na Moravian Gallery, em Brno, com curadoria de Milan Knížák e Jiří Valoch.