O artista contemporâneo tem se valido do ato de apropriar-se de outras obras de arte, conceitos ou mesmo de outros momentos artísticos da história da humanidade. Como ele realiza esse processo? Uma das respostas possíveis a essa pergunta seria que o artista cria para o seu uso um ressignificando que constará em sua nova criação, ou seja, uma nova e original sequência de um significante apropriado no mundo exterior: imagens, textos, sons, ações e conceitos. Podemos afirmar que a história da arte vive de artistas precursores, predições e ressignificações. Na obra Informazione (1970), o artista italiano Guglielmo Cavellini apropria-se do famoso desenho de um animal bovino que encontramos em açougues e matadouros, onde estão representados cortes de carne. Em vez da nomenclatura habitual dos variados tipos de carnes, que possuem qualidades diferentes, ou seja, são mais ou menos nobres do ponto de vista do consumo humano, o artista apresenta alguns nomes de artistas canônicos consagrados pela história da arte, que foram alocados em posições, também, mais ou menos nobres. Cavellini, fiel à ironia constante em sua obra, presente principalmente em seus trabalhos da década de 1970, trata com humor a dinâmica da legitimação da arte, estabelecendo uma analogia ao apropriar-se de algo mundano e prosaico.