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Mebs/Caraxia
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Miniatura
Número de registro
C01003
Artista
Título
Mebs/Caraxia
Data
1970
Denominação
Técnica/Material
Áudio | Impressão | Manuscrito
Suporte
Dimensões
17 x 17 cm / 09'14''
Texto para etiqueta
Cildo Meireles
(Rio de Janeiro/RJ, 1948)
Mebs/Caraxia, 1970
Arte Sonora
Coleção Artistas Contemporâneos FVCB
Mídias relacionadas
Condições de reprodução
O uso de imagens é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos; outros usos mediante autorização, conforme a Lei de Direitos Autorais: Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Crédito obrigatório: Fundação Vera Chaves Barcellos.
Exposições
Textos
Notas do educativo
Cildo Meireles é considerado um dos principais artistas conceituais do Brasil. Apesar de sua formação inicial ter se dado na área do desenho, ainda nos anos 60, foi um dos primeiros artistas a realizar propostas ambientais, com seus Espaços Virtuais: Cantos 1967/68, obras que posteriormente foram consideradas como “instalações”. No início dos anos 70, o artista realizou obras de caráter político, sem, no entanto, deixar de propor questões puramente conceituais, algumas delas denominadas “Arte Física”. São obras desse período: Mutações Geográficas e Caixas de Brasilia. É a partir dos anos 80, porém, que o artista recebe um grande reconhecimento da crítica e do público. Cildo Meireles é admirado pela crítica, pela
sua coerência e por uma linha de produção visual em contínuo e perceptível desenvolvimento, originando uma obra incomum, característica dos artistas que possuem um vínculo com a cultura brasileira e forte conhecimento do seu próprio país. Em 1969-70, o artista passa a relacionar uma série de ideias que remetem ao objeto “disco de vinil”. Ele considerava seriamente a ideia de articular o som com a topologia. Mebs/Caraxia, por exemplo, tem origem em dois gráficos sonoros. Um lado do disco chama-se Mebs, em função da fita de Moebius. Uma fita de Moebius é um espaço topológico obtido pela colagem das duas extremidades de uma fita apds se efetuar meia volta em uma
delas. O resultado acaba operando como uma espécie de representação de ambiguidade, pois tanto remete a ideia de infinito como a de um caminho sem saída. Seu nome é devido ao do matemático e astrónomo que estudou, em 1858: August Ferdinand Moebius.
No outro lado do disco vê-se uma espiral, e o artista une as duas palavras ligadas a estruturas espiraladas: caracol e galáxia - logo, Caraxia. Ele perfura uma das faces da capa do disco, queimando-a com um cigarro, e essa marca repousa sobre a imagem de um cigarro que se encontra sobre a figura impressa da galáxia. A obra é um registro de frequência que fica constantemente sendo modificado pelo artista, estabelecendo um eixo que é intermitentemente alterado para cima e para baixo. O resultado é uma perversa do gráfico sonoro tradicional, que procura sempre mensurar as ondas. O que temos aqui, nesta
obra de Cildo Meireles, é um conjunto imprevisível de sons, que remete o ouvinte a um ambiente rico em referências sonoras a filmes de ficção científica. Trata-se de todo um universo ancorado na cultura visual e sonora desde os anos 50, e que encontra seu ápice nos anos 70 e 80 do século XX, com a difusão mundial da música eletrônica. Cildo Meireles, na obra Mebs/Caraxia, apropria-se de conceitos da topologia, da matemática, da física e de máquinas que servem aqui para riscar o vinil, utilizando-se de manipulações sonoras das ondas para materializam arte aquilo que ele chamou de “escultura sonora”.


