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Dialogs
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Miniatura
Número de registro
C02370
Artista
Título
Dialogs
Data
1978
Denominação
Suporte
Duração
14'34''
Texto para etiqueta
Claudio Goulart (Porto Alegre, RS, 1954 – Amsterdã, Países Baixos, 2005)
Flavio Pons (Dom Pedrito, RS, 1947)
Dialogs, 1978
Videoperformance, 14'34''
Coleção Artistas Contemporâneos FVCB
Center of Art and Media Karlsruhe - ZKM
Subcoleção
Claudio Goulart
Mídias relacionadas
Condições de reprodução
O uso de imagens é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos; outros usos mediante autorização, conforme a Lei de Direitos Autorais: Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Crédito obrigatório: Fundação Vera Chaves Barcellos.
Obras relacionadas
Resumo conceitual
O vídeo de Dialogs (1980) parte da mesma ideia, surge também da performance apresentada dois anos antes, na galeria Bedaux. Os artistas dividem a cena, sentados um em frente ao outro, vestindo camisas brancas, sobre um fundo escuro. Um retira, lentamente, uma fita de dentro da camisa do outro, enquanto isso, miram-se fixamente nos olhos. Ambos mantêm um semblante sério, mesmo quando as mãos de um quase tocam o peito do outro, criando um ambiente que beira a tensão. Ao longo dos minutos e dos movimentos, a fita vai amontoando-se escultoricamente em cima da mesa branca, entre os corpos dos artistas. (Rosa, 2018)
Textos
Notas do educativo
Em Dialogs (1980), vídeo que tem origem em uma performance realizada na galeria Bedaux em Amsterda (1978), os artistas Claudio Goulart e Flavio Pons apresentam dois aspectos dos mais caros à existência humana: a incomunicabilidade e a passagem do tempo. Os artistas utilizam uma fita de tecido como metáfora do conteúdo de suas falas, aquilo que vai e vem, que é assimilado ou não, devolvido ao bel prazer dos dois interlocutores, expressando, nessa troca, diversas potências comunicacionais possíveis entre duas pessoas. Durante a performance, colocam vendas em seus olhos: o olhar sobre o outro, enquanto o aceitar o outro, e o não olhar, como desprezar aquilo que o outro exprime. Falar e ser escutado — e não apenas ouvido — e escutar quando o outro fala são dois pressupostos essenciais ao sucesso da comunicação humana. Contudo, outros fatores podem interferir nesses diálogos humanos, tendo em vista que, no decorrer de uma situação comunicacional, a conversa interior de cada um dos participantes não cessa, o que pode interferir de forma dialética e construtiva na expressão das falas. O contrário também pode ocorrer, ao surgirem ruídos e inferências internas ou externas ao diálogo, há um corte no fluxo da linguagem, algo que poderá ser perene ou provisório. A obra Dialogs oferece ao
espectador uma possível reflexão sobre as próprias vivências comunicacionais e sobre a função das pausas e das interrupções sobre dois interlocutores. A pausa pode agir como um embreante, catapultando a um patamar mais elevado o próprio diálogo. O inverso também pode acontecer, com a pausa, sendo utilizada por um dos integrantes da conversa, como parte constitutiva do próprio discurso que está em disputa, um dispositivo que tem como objetivo causar um efeito de negação sobre o que ali foi dito. Como lembra Robert Musil (1 880- 1942) em seu livro Unides, há um perigo escondido nessas pausas:
“memorizamos uma linha que produz um nexo qualquer, para com isso ter sustenção, e assim nos apoiamos em nós mesmos, erguidos entre estacas mudas das coisas, eis a vida; algo que se parece com um falar incessante, fingindo que cada palavra tem a ver com a anterior, exigindo a seguinte, pois tememos que, no momento em que o silêncio às romper, a quietude há de dissolver-nos em alguma vertigem inconcebível”'. Um silêncio que desaprova o falar do interlocutor, um abortar da troca que já não pode ser concretizada, o ocaso da comunicação.
Material Educativo
Empréstimos
Exposição: "Gladiadores do Futuro", Galeria Zielinsky – Barcelona, Espanha, 2024.
|Exposição: "Claudio Goulart: Fragmentos da memória", Galeria Zielinsky – São Paulo/SP, Brasil, 2024.
Documento relacionado
Claudio Goulart: quando o horizonte é tão vasto – catálogo


