Escultor, pintor e gravador. Nasceu em 1922 em Salvador. Cresceu tendo contato íntimo com a religiosidade sincrética afro-brasileira: de família católica, Rubem Valentim fez primeira comunhão e também frequentava terreiros de candomblé. Com o pai, participava de cerimônias em diversos terreiros, tanto na tradição nagô-jeje quanto candomblés de caboclo: o de Tia Maci, no Engenho Velho, o de Mãe Menininha, no Gantois, o de Júlio Branco, no Bate-Folha. O artista relatou seu duplo deslumbramento e seu envolvimento estético tanto com o rito afro-brasileiro quanto com a iconologia católica das igrejas, das quais lembrava especialmente dos santos barrocos. Suas primeiras experiências artísticas se deram ainda na infância, quando fabricava balões e pipas, algumas das quais vendia para obter dinheiro. A obra desse importante artista brasileiro materializa para o espectador toda uma sofisticação simbólica e formal existente na formação da cultura brasileira, amparada por processos intensos de cruzamentos étnicos e culturais, revelando uma capacidade ímpar de alguns artistas em fundir vertentes de prestígio na arte com manifestações populares fortemente enraizadas na própria formação histórica do Brasil