-
Excerpts from / Fragments of a Landscape
- Voltar
Miniatura
Número de registro
C02357
Artista
Título
Excerpts from / Fragments of a Landscape
Data
1986
Denominação
Técnica/Material
Suporte
Dimensões
205 x 252 cm
Texto para etiqueta
Claudio Goulart
(Porto Alegre, RS, 1954 – Amsterdã, Países Baixos, 2005)
Excerpts from / Fragments of a Landscape, 1986
Fotocópia
Coleção Artistas Contemporâneos FVCB
Subcoleção
Claudio Goulart
Condições de reprodução
O uso de imagens é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos; outros usos mediante autorização, conforme a Lei de Direitos Autorais: Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Crédito obrigatório: Fundação Vera Chaves Barcellos.
Desdobramentos do item
Obras relacionadas
Textos
Notas do educativo
“Os lugares que conhecemos não pertencem tampouco ao mundo do espaço, onde os situamos com maior facilidade.Não eram mais que uma delgada fatia do meio de impressões contíguas que formavam nossa vida de então; a recordação de certa imagem não é senão saudade de certo instante; e as casas, os caminhos, as avenidas são fugitivos infelizmente, como os anos”? Marcel Proust (1871-1922), assim, finaliza “No Caminho de Swann”, primeiro volume de “Em Busca do Tempo Perdido”, obra canônica da literatura do século XX. Nesse romance, o escritor francês estabelece relações entre as imagens do espaço concreto e aquelas que ressurgem a tona em nossa memória sem que a convidamos. O tempo é tratado como um catalisador de alguns instantes importantes da vida do personagem, que modificará a percepção que ele possui de paisagens da infância, de viagens sentimentais, ou, até mesmo, de gostos e sensações enterradas em priscas eras. Claudio Goulart realiza um trabalho de registro dos caminhos entre Amsterdã e Almelo, na Holanda. As fotografias em P&B fazem parte de um estudo realizado por ocasião de uma seleção em um edital público. Fragmentos dessas fotos, posteriormente ampliadas e fotocopiadas, foram dispostas sobre as paredes de um hospital em Almelo. São registros de paisagens, caminhos de estradas e ferrovias permeadas por árvores e bosques, uma casa de madeira abandonada. Alguns desses registros foram ampliados e fotocopiados pelo artista, deixando uns sem foco e outros, com uma acentuação proposital da incidência de luz sobre um determinado ponto da imagem. Partindo de Proust, nós podemos aproximarmo-nos à obra de Goulart, utilizando a ideia de imagem dialética, imaginada por Walter Benjamin. O escritor alemão afirma que a imagem dialética é uma imagem que
lampeja. Pensamos, a partir dessa afirmação, que o apreender da imagem por parte do espectador deverá ter o seu sucesso naquilo que poderíamos nomear como uma pulsação ou uma vibração dos contrastes dessa mesma imagem. Esse momento privilegiado de cognição seria fugaz como um lampejo e logo invadido pela fluidez inexorável do tempo, jogando o espectador novamente em sua condição anterior à experiência que tivera com a imagem dialética. Ao apreciarmos a obra Excerpts from / Fragments of a Landscape (1986), de Claudio Goulart, percebemos o quanto as obras de arte proporcionam um prazeroso e desejável desacomodar da retina, levando o ser humano a perceber os detalhes e os lampejos, mesmo que eles estejam em paisagens prosaicas e cotidianas. Como se as obras de arte insistissem em nos revelar os múltiplos estalos das imagens do mundo.
Material Educativo
Documento relacionado
Claudio Goulart: quando o horizonte é tão vasto – catálogo


